sábado, 22 de abril de 2017

Poema da Semana- Os Limites para uma Árvore


Árvore
Conheço as suas raízes. É tudo o que vejo.
Há um movimento que a percorre devagar. Não sei
se ela existe. Imagino apenas como são os ramos,
este odor mais secreto, as primeiras folhas
aquecidas. Mas eu existo para ela. Sou
a sua própria sombra, o espaço que fica à volta
para que se torne maior. É assim que chega
o que não passa de um pressentimento. Ela compreende
este segredo. Estremece. Comigo procuro trazer
só um pouco de terra. É a terra de que ela precisa.

Fernando Guimarães, in 'Limites para uma Árvore'

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Danificados em dois anos 1.500 quilómetros da Grande Barreira de Coral

© Reuters Danificados em dois anos 1.500 quilómetros da Grande Barreira de Coral
Cerca de 1.500 quilómetros da Grande Barreira de Coral australiana, ou dois terços desta, ficaram danificados após dois anos consecutivos de branqueamento de corais, informaram hoje fontes científicas.

"O impacto combinado deste branqueamento consecutivo estende-se ao longo de 1.500 quilómetros, deixando um terço situado a sul ileso", disse o diretor do Centro de Excelência de Estudos de Coral da Universidade James Cook, Terry Hugues, num comunicado daquela instituição de ensino superior.
Em 2016, o branqueamento causado por um aumento das temperaturas das águas acima da média, combinado com os efeitos do fenómeno do 'El Niño', afetou sobretudo a parte norte da Grande Barreira, situada frente às costas da Austrália.

"Este ano, em 2017, estamos a viver um branqueamento maciço, inclusivamente sem a implicação das condições de um fenómeno do 'El Niño'", disse Hughes, ao referir-se aos resultados deste estudo, semelhante ao trabalho realizado em 2016 na Grande Barreira, que viveu fenómenos similares em 1998 e 2002.

"Os corais descolorados não são necessariamente corais mortos, mas na região central afetada severamente, antecipamos que se registaram altos níveis de perda de corais", disse James Kerry, que também participou nas investigações. Kerry, do centro de estudos de coral, também explicou que os corais demoram cerca de uma década para recuperarem completamente, tendo sublinhado que "um branqueamento maciço que ocorre com 12 meses de intervalo oferece zero possibilidades de recuperação para aqueles corais danificados em 2016".~

Para agravar a situação, estima-se que a passagem do ciclone tropical Debbie, que atingiu o nordeste australiano no final de março, danificou o corredor de 100 quilómetros de largura por onde passou.
"Provavelmente, qualquer efeito de arrefecimento relacionado com o ciclone será insignificante em relação ao dano que este causou, já que infelizmente atingiu uma parte do recife que tinha escapado à pior parte do branqueamento", disse Kerry, no mesmo comunicado.

Os cientistas lamentaram que a Grande Barreia de Coral esteja a enfrentar diversas situações com um impacto negativo na sua saúde, especialmente os danos causados pelas alterações climáticas, pelo que instaram os governos a reduzir as emissões poluentes.

A Grande Barreira de Coral começou a deteriorar-se na década de 1990 pelo duplo impacto do aquecimento da água do mar e do aumento da respetiva acidez pela maior presença de dióxido de carbono na atmosfera.

Declarada Património da Humanidade pela UNESCO [Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura], a Grande Barreira de Coral contém cerca de 400 tipos de coral, 1.500 espécies de peixes e quatro mil variedades de moluscos, e já chamou a atenção de líderes mundiais como o ex-Presidente dos Estados Unidos Barack Obama, que pediu a proteção da mesma com medidas contra as alterações climáticas.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Encontros Improváveis- Aldous Huxley e Nigel

Arte de Rua em São Paulo, por Nigel

"A ditadura perfeita terá as aparências de uma democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros sequer sonharão com a fuga. Um sistema de escravatura onde graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravatura." ~ Aldous Huxley

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Zika, Pesticidas e o Mosquito Transgénico- pyriproxyfen é a verdadeira causa da microcefalia, não dá mais para esconder.

O que mais me irrita é como andamos "distraídos"...é de 2016. E deixamos que mordam e amordacem as nossas mentes.
O larvicida que contem pyriproxyfen é a talidomida versão séc.XXI, amigos. Isto é sério demais.

English: REPORT from Physicians in the Crop-Sprayed Town regarding Dengue-Zika, microcephaly, and massive spraying with chemical poisons


Español: Informe de Medicos de Pueblos Fumigados sobre Dengue-Zika y fumigaciones con venenos química

Para acceder al informe en pdf para imprimir, haga click aqui: Informe Zika de reduas (792)

Doctors name Monsanto’s larvicide as potential cause of microcephaly in Brazil:
Read more At:

Componente químico Pyriproxyfen é apontado como causa da microcefalia
Leia mais aqui

Nem o Zika vírus e nem vacinas, para a Organização dos Médicos Argentinos o grande surto de microcefalia que se abateu sobre o Brasil é causado por um químico larvicida chamado Pyriproxyfen colocado na água ou pulverizado nas cidades afetadas pelo surto de microcefalia.

O relatório da entidade é enfático ao dizer que não é coincidência os casos de microcefalia surgirem na áreas onde o governo brasileiro fez a aplicação do Pyriproxyfen diretamente no sistema de abastecimento de água da população, mais especificamente em Pernambuco.

Componente químico Pyriproxyfen é apontado como causa da microcefalia


“O Pyroproxyfen é aplicado diretamente pelo Ministério da Saúde nos reservatório de água potável utilizados pelo povo de Pernambuco, onde a proliferação do mosquito Aedes é muito elevado ( uma situação semelhante à das ilhas do Pacífico ). (…) Malformações detectadas em milhares de crianças de mulheres grávidas que vivem em áreas onde o Estado brasileiro acrescentou Pyriproxyfen à água potável não é uma coincidência, apesar do Ministério da Saúde colocar a culpa direta sobre o Zika vírus para os danos causados (microcefalia).”, revela o relatório na página 3.

O relatório também observou que o Zika tem sido tradicionalmente considerado uma doença relativamente benigna, que nunca foi associada com defeitos congênitos, mesmo em áreas onde infectou 75% da população.


Posição da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco)

O  relatório argentino, que também aborda a epidemia de dengue no Brasil, concorda com as conclusões de um relatório separado sobre o surto Zika feito por médicos brasileiros e pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco.

A Abrasco também aponta o Pyriproxyfen como causa provável da microcefalia. A associação condena a estratégia de controle químico para frear o crescimento dos mosquitos portadores do Zika vírus. A Abrasco alega que tal medida está contaminando o meio ambiente, bem como pessoas e não está diminuindo o número de mosquitos. Para a Abrasco esta estratégia é, de fato, impulsionada por interesses comerciais da indústria química, a qual diz que está profundamente integrada com os ministérios latino-americanos de saúde, bem como a Organização Mundial de Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde.

Abrasco nomeou a empresa britânica Oxitec que produz insetos geneticamente modificados como parte do lobby empresarial que está a distorcer os fatos sobre o Zika vírus para atender a sua própria agenda com fins lucrativos.

A Oxitec vende mosquitos transgênicos modificados para esterilidade e os comercializa como um produto de combate à doença – uma estratégia condenada pelos médicos argentinos, tida como “um fracasso total, exceto para a empresa fornecedora de mosquitos”.

Vale lembrar também que o Zika vírus é propriedade da família/Fundação Rockefeller, conforme relatado pelo Panorama Livre no dia 31 de janeiro. Além, claro, da ONU já ter declarado que países com casos de microcefalia deveriam liberar o aborto – deixando claro a todos o enorme número de entidades envolvidas no lobby do controle/diminuição populacional.



PANORAMALIVRE
Zika vírus é propriedade da família Rockefeller
Leia mais aqui

Zika Vírus está a venda por €599.00 e o nome do depositário é “J. Casals, Rockefeller Foundation”. Outro fato que chama atenção é que a data de origem do Zika Vírus é o ano de 1947

Eis o link da página do órgão que comercializa o Zika Vírus:


Quem fabrica o Pyriproxyfen?

Os médicos acrescentaram que o Pyriproxyfen é fabricado pela Sumitomo Chemical, empresa japonesa e um “parceiro estratégico” da Monsanto. O Pyriproxyfen é um inibidor do crescimento de larvas de mosquitos, que altera o processo de desenvolvimento da larva, a pupa (estágio intermediário entre a larva e o adulto, no desenvolvimento de certos insetos), para adulto, gerando, assim, malformações no desenvolvimento dos mosquitos e matando ou desativando seu desenvolvimento. O composto químico atua como um hormônio juvenil de inseto e tem o efeito de inibir o desenvolvimento de características de insetos adultos (por exemplo – as asas e genitais externos maduros) e o desenvolvimento reprodutivo. É um disruptivo endócrino e é teratogênico (causa defeitos de nascimento), de acordo com os médicos.

Em dezembro de 2014 a Sumitomo Chemical anunciou que, juntamente com a Monsanto, expandiria seus trabalhos de controle de pragas para a América Latina, mais especificamente para Brasil e Argentina.





Outras leituras


terça-feira, 18 de abril de 2017

Documentários sobre Nietzsche, Heidegger e Sartre que você deveria assistir (incluídos na postagem)

Asérie da BBC  ‘Humano, Demasiado Humano’ (Human All Too Human) inclui três programas fantásticos sobre Friedrich Nietzsche, Jean Paul Sartre e Martin Heidegger, um trio de pensadores controverso que continuam influenciando até os dias de hoje, na filosofia e na psicologia. A série aborda os personagens e suas teorias. Vale assistir cada minuto, são três programa envolventes e emocionantes sobre a filosofia e os filósofos.


Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844 -1900) foi um filósofo alemão do século XIX e um dos maiores nomes dessa área. Martin Heidegger (1889 – 1976) foi um filósofo alemão do século XX que influenciou muitos outros, dentre os quais Jean-Paul Sartre. Jean-Paul Sartre (1905 -1980) foi um filósofo francês, conhecido como representante do existencialismo.
Os documentários são conduzidos por Alain de Botton, escritor e produtor famoso por popularizar a filosofia e divulgar seu uso na vida cotidiana. Botton iniciou um Ph.D em filosofia francesa em Harvard, mas acabou preferindo escrever ficção. Para além de escrever possui a sua própria produtora, a Seneca Productions, que transmite regularmente programas e documentários de televisão, baseados nos seus trabalhos.
Documentário I: Humano, Demasiado Humano – Friedrich Nietzsche: Além do Bem e do Mal
A semente do pensamento disseminado por Nietzsche no século XIX prefigurava o piloto do século XX sobre os conceitos do existencialismo e da psicanálise. Este programa conta com entrevistas de grandes estudiosos do pensamento do Nietzsche sendo eles: Ronald Hayman e Leslie Chamberlain (biógrafos de Nietzsche), Andrea Bollinger (arquivista), Reg Hollingdale (tradutor), Will Self (escritor) e Keith Ansell Pearson (filosofa) que sonda a vida e os escritos de Nietzsche. Além de mostrar também o papel da irmã de Nietzsche na edição das suas obras para o uso como propaganda nazi. Conta também com partes de prosas aforísticas extraídas de obras como a parábola de um louco e assim falou Zaratustra.



Documentário II: Humano, Demasiado Humano – Martin Heidegger: Projeto Para Viver
O projeto do tratado Ser e Tempo, foi publicado em 1927 no mesmo ano que Minha Luta (Adolf Hitler). Este programa examina a vida e a filosofia de Martin Heidegger, descreve a sua ascensão a proeminência intelectual, expondo os motivos do seu envolvimento no partido Nazi. Entrevistas com o seu filho, Hermann Heidegger, George Steiner autor de uma influente critica da sua filosofia, contado também com o seu biógrafo Hugo Ott; e ex-aluno de Hans-Georg Gadamer, fornecem novas ideias enquanto se faz uma reconstrução dos momentos chaves da vida de Heidegger. Vida e história de um homem cujos apologistas e os antagonistas ainda amargamente se dividem.



Documentário III: Humano, Demasiado Humano – Jean-Paul Sartre: O Caminho Para a Liberdade
Neste episódio é abordada a vida e a obra do mais famoso filósofo existencialista europeu, Jean-Paul Sartre (1905-1980). O homem que passou a vida a desafiar a lógica convencional amava os paradoxos. O documentário expõe estes paradoxos da sua vida e da sua obra, ao mesmo tempo em que ambos são questionados. A pergunta central que é colocada é: Se o ser humano é livre para fazer o que quiser, como justifica Sartre, então como devemos viver as nossas vidas no dia-a-dia?


Fonte: Revista Prosa Verso e Arte

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Alberto Carneiro, inventor de mundos, escultor da natureza

Nasceu na aldeia de São Mamede do Coronado, na Trofa, e, sem nunca a abandonar verdadeiramente, viajou mundo fora para se tornar um dos mais importantes escultores portugueses. A morte chegou aos 79 anos.

Era um dos mais importantes escultores portugueses, autor de um corpo de obra em que arte e vida são indissociáveis e dotado de uma voz única em que a ruralidade e a proximidade à natureza — consequência do nascimento, em 1937, na aldeia de São Mamede do Coronado, concelho da Trofa — se aliava ao estudo e profundo envolvimento com a filosofia oriental (Zen, Tantra, Tao). Alberto Carneiro morreu este sábado, aos 79 anos, no Hospital de S. João, no Porto, onde estava internado. A notícia foi confirmada ao PÚBLICO pela família do escultor.

Foto Alberto Carneiro na Fundação Serralves, 2013 Paulo Pimenta

Alberto Carneiro, o escultor para quem arte e vida eram uma só coisa. “Se tivesse nascido na cidade, se tivesse vivido a minha primeira infância na cidade, a minha obra não seria o que é. Nem eu, provavelmente, me teria encontrado com este mundo”, dizia em entrevista publicada na 2, revista do PÚBLICO, em 2013. “Sendo a mesma pessoa, fisicamente, o mesmo nariz, as mesmas orelhas, não seria o mesmo. A minha sensibilidade foi construída numa relação directa com essas coisas. Aprendendo a amar essas coisas. E não as dispensando”. A consciência da importância desta origem na sua formação e na forma de olhar o que o rodeava foi fundamental no seu percurso artístico, iniciado em 1947 numa oficina de santeiro onde trabalharia 11 anos.

A relevância dessas raízes é igualmente enaltecida pelo subdirector do Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia, em Madrid (e ex-director do Museu de Serralves), João Fernandes, que em declarações ao PÚBLICO fala dessa "coragem" do artista em "assumir o seu conhecimento dos rituais camponeses e agrícolas, e levá-los para um processo de apropriação e transformação da natureza", acabando por nessa dinâmica "levar a natureza para dentro dos museus e galerias, criando novas experiências sensoriais onde o espectador deixava de o ser para passar a ser participante da obra". Na sua visão, Alberto Carneiro "é o caso surpreendente de um homem que se faz artista sem nunca deixar de ser homem na sua plenitude, inventando novas formas de pensar, agir e reinventar a relação da arte com a vida e da arte com o mundo."

O percurso de João Fernandes está, aliás, ligado ao de Alberto Carneiro. "A primeira exposição que fiz, em 1992, chamava-se Sortilégios e foi uma sugestão dele", na qual participaram também Gerardo Burmester e Albuquerque Mendes. "Para mim foi importante na altura trabalhar com alguém que havia sido um pioneiro e que abriu muitos caminhos. O Alberto foi um dos artistas que me estruturaram na forma de pensar e agir", afirma, argumentando que a sua originalidade no contexto da arte portuguesa, "onde é pioneiro das linguagens conceptuais", como no plano internacional, continua em parte por avaliar. "Ainda existe muito por pensar acerca da universalidade da sua obra, principalmente no contexto internacional, onde o seu trabalho ainda não foi tão difundido como seria desejável. Ele é muito singular", avalia. "Veio de um contexto rural, de uma aldeia onde trabalhou em criança como aprendiz a fazer imagens de santos para as igrejas e aproveitou depois a sua extraordinária habilidade com as mãos. Em Londres confrontou-se com linguagens de âmbito internacional, mas em parte quando ele sai das Belas Artes do Porto já estava a caminho de construir uma linguagem própria, da qual resultaria uma obra original, que ainda deverá ser avaliada no contexto das linguagens da época que cruzam a arte com a natureza e a vida."

Algo semelhante diz o artista plástico José Pedro Croft ao PÚBLICO. "Toda a sua produção ao longo dos anos foi única, muito para além das nossas fronteiras. Ele era um homem do mundo, no sentido em que o universal é o local sem fronteiras", afirma. "Tinha uma relação muito forte com a natureza que marcou muito a relação que ele tinha do corpo, e do envolvimento do corpo, no trabalho directo que fazia. O seu olhar era absolutamente revolucionário, tendo acompanhado todos os movimentos dos anos 1970." Para além dessa dimensão e do seu trabalho individual, José Pedro Croft destaca o seu enorme apoio aos colegas. "Ao longo de décadas, com o parque de esculturas de Santo Tirso, foi organizando, cuidando, tratando e convidando outros artistas e fazer um trabalho que é único."

O artista plástico e escultor Carlos Nogueira diz ao PÚBLICO que a sua morte "é uma perda irreparável", enaltecendo "um artista maior e um professor maior, que ao longo dos anos foi igual a si próprio, tendo encontrado o seu caminho, que trilhou numa procura permanente de novos passos e novos saltos." E conclui: "Foi um autor incansável que trabalhou até aos últimos dias. Cultivemos a sua memória." Também o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, publicou uma nota de pesar na página da Presidência na Internet, considerando que Alberto Carneiro procurou “incessantemente, uma arte ‘primitiva’” e “primordial, com um cunho meditativo de traços orientais”, recordando ainda que o artista descobriu cedo uma forte ligação à natureza, àquilo a que chamava a ‘personalidade’ das árvores, o vínculo às coisas concretas, e a dimensão corporal dos ofícios”. O ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, também lamentou a sua morte, através de uma nota onde é referido que "com uma voz singular combinou a arte com elementos da natureza e marcou as artes visuais em Portugal a partir da década de 60."
"Não mitifico a arte"

Trabalhava sobre a natureza, os elementos, a água, a terra, o fogo e o ar. Na sua visão a obra de arte existia para questionar, para aumentar o campo de acção, para criar novas fronteiras e novos conceitos. "Eu e arte não sabemos ao certo quem somos, mas temos a certeza de sermos um do outro, e isto é tudo o que precisamos para a vida", escrevia no texto de apresentação da retrospectiva de Serralves, Arte Vida / Vida Arte, em 2013. Nessa altura, numa visita guiada que o PÚBLICO acompanhou, olhando para as suas obras, dizia: "Isto é um sortilégio. Eu vibro mais com isto do que com a Mona Lisa — e considero-me uma pessoa culta em relação à arte. Mas não a mitifico. A essência da beleza da Mona Lisa e do Moisés, encontrámo-la também aqui."

Licenciado pela Escola Superior de Belas Artes do Porto (ESBAP), em 1967, rumaria a Londres no ano seguinte. Na capital inglesa foi aluno dos escultores britânicos Anthony Caro e Philip King, no âmbito da pós-graduação que frequentou na Saint Martin’s School of Art. A primeira exposição individual aconteceu antes da viagem para Inglaterra, em 1967, na ESBAP. Entre 1975 e 1976, anos em que estudou as formas e os procedimentos estéticos resultantes do amanho da terra, foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian.

Em paralelo à sua obra escultórica, deixou bibliografia, sob a forma de livros e ensaios, dedicados a Arte e Pedagogia. Foi professor de Escultura na ESBAP, na década de 1970, director pedagógico e artístico no Círculo de Artes Plásticas da Universidade de Coimbra, entre 1972 e 1985, e professor na Faculdade de Arquitectura na Universidade do Porto.

Ao longo dos anos realizou mais de setenta exposições individuais e participou em mais de cem mostras colectivas, em Portugal e no estrangeiro. Além da presença em território português (Santo Tirso, Chaves, Metropolitano de Lisboa, Jardins da Casa de Serralves), deixa obras espalhadas por todo o mundo: The Stone Garden, em Gateshead, Inglaterra, uma escultura no parque metropolitano de Quito, Equador, outra em Wicklow, na Irlanda, outra na Aldeia Folclória Coreana, na Coreia do Sul, ou uma escultura na cidade de Taoyuan, na Ilha Formosa, para citar apenas alguns exemplos.

Foto Exposição Arte Vida / Vida Arte, 2013 Nelson Garrido 

Com ele a natureza entrou dentro dos museus. “Avança-se pelo mundo de Alberto Carneiro como por uma floresta. Às escuras, tropeçando em árvores, raízes e pedras, até aparecer uma clareira e o céu explodir na luz desgovernada de um manhã de Inverno”, escrevíamos em 2014. Ao longo dos anos participou nas Bienais de Veneza (1976) e de São Paulo (1977), entre outras grandes exposições internacionais. Nas antológicas da sua obra, contam-se as apresentadas na Fundação Calouste Gulbenkian (1991), em Lisboa, na Fundação de Serralves (1991), no Porto, para além do Museu Nacional Machado de Castro (2000), em Coimbra, no Centro Galego de Arte Contemporânea (2001) de Santiago de Compostela, no Museu de Arte Contemporânea do Funchal (2003), e na Casa da Cerca, em Almada.
No início dos anos 1990 foi o grande ideólogo do Museu Internacional de Escultura Contemporânea (MIEC), actualmente com 54 obras espalhadas por vários espaços públicos de Santo Tirso. Aliás a câmara local vai adjudicar nos próximos dias a obra relativa ao projecto Centro de Arte Alberto Carneiro, um projecto que deverá ser inaugurado no final de 2018.

Entre as distinções que recolheu ao longo da carreira, incluem-se o Prémio Nacional de Escultura (1968) ou o Prémio Nacional de Artes Plásticas da Associação Internacional de Críticos de Arte (1985). Reconhecido internacionalmente, presente em vários museus e colecções, continuava a ter na aldeia onde nasceu a sua residência e o seu local de trabalho.

Ler mais

  1. Alberto Carneiro, o escultor para quem arte e vida eram uma só coisa

  2. O mundo de Alberto Carneiro cabe numa cerejeira

  3. Alberto Carneiro- Arte Ecológica

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Poluição do ar: mais de 20 mil vidas podem ser salvas

Fonte: O Instalador

Petição europeia pede acção do governo para reduzir mortes devido a carvão tóxico.

De acordo com um relatório divulgado recentemente, a aplicação de limites eficazes para a poluição do ar pode salvar mais de 20.000 vidas por ano, mas alguns governos nacionais estão a ameaçar vetar as medidas da UE para combater a poluição tóxica, avisa a Quercus, em comunicado.

De acordo com a associação ambientalista, a petição europeia lançada esta semana pede aos governos que protejam a saúde dos cidadãos e o meio ambiente através da adopção de um documento europeu sobre as normas ambientais denominado "BREF LCP revisto" (documento de referência sobre as melhores técnicas disponíveis).

A petição exige também que os governos protejam a saúde dos seus cidadãos, impondo limites rígidos à poluição tóxica do carvão.

Um relatório recente mostrou como os novos limites de poluição poderiam ajudar a reduzir o número anual de mortes prematuras causadas pela queima de carvão de 22.900 para 2.600 mortes.

«As novas normas são o resultado de anos de negociações entre o governo, a indústria e os representantes de ONGs. Esperava-se que a sua adopção fosse uma formalidade, mas a pressão da indústria levou vários Estados-membros a ameaçar vetar as novas regras na fase final», lembra a Quercus.

Os principais grupos ambientais europeus, o Gabinete Europeu do Ambiente (EEB), a Rede de Acção Climática (CAN) da Europa, a Aliança da Saúde e do Ambiente (HEAL) e a WWF associaram-se à organização WeMove.EU para lançar a petição. A petição que está disponível em inglês, alemão, francês, italiano e polaco, será entregue aos ministros antes de uma votação crucial dos governos nacionais numa reunião da Comissão Europeia a 28 de Abril.

Tal como já tinha comunicado anteriormente, a Quercus reitera «a sua posição desfavorável ao uso do carvão como fonte de energia e reafirma a necessidade de se caminhar para fontes de energias mais limpas que proporcionam uma melhor qualidade do ar e, portanto, da saúde dos cidadãos».

terça-feira, 11 de abril de 2017

PETIÇÃO: Contra o corte raso na Serra da Freita e a replantação com eucalipto

A todos os amigos das árvores nativas: pedimos para irem HOJE à página da Quercus - ANCN Está para sair às 13:50 horas a petição pública: Contra o Corte Raso na Serra da Freita
É muito importante lá pôr "gosto", partilhar e comentar a essa hora (+ 5 minutos) pois só assim será possível alcançarmos milhares de pessoas e assinaturas. A serra agradece.

Assina, divulga e partilha a petição Contra o Corte Raso na Serra da Freita

Após os desastrosos incêndios florestais do ano 2016, o ICNF aplicou uma série de medidas de combate a erosão pós-incêndio. O abate indiscriminado das árvores nativas que sobreviveram a catástrofe não faz parte destas medidas, mas acontece em larga escala. As beiras das estradas que sobem para a Serra da Freita enchem-se com pilhas de madeira de carvalhos, castanheiros e pinheiros, na sua maioria pouco ou nada fustigados pelo fogo. Como é isto possível num espaço da Rede Natura 2000?

Grandes carvalhos que podiam dar bolotas e apoiar a criação dum novo bosque são abatidos sem controle, tanto como castanheiros adultos ou jovens, sem fiscalização, sem qualquer autoridade a visionar e interferir.

Apelamos ao ministério do meio ambiente e os municípios que abrangem este território da Serra da Freita: pronunciem-se, tomem medidas, mostrem presença.

Do mesmo modo que foi entregue aos municípios mais poder para cuidar da floresta, agora é a altura para actuar.


Não deixem transformar as encostas da Serra da Freita num vasto eucaliptal.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Acção Poética


"Creio que há tanta tecnologia intervindo nas mensagens (androids, redes sociais, telemóveis, Ipad, boletins informativos, especializações, traficos, atomização) , que a mensagem VOZ perdeu o seu espaço e ar...e andamos todos sedentos de todos. Porque tudo se economizou, proletarizou e o espaço e tempo de amor ficou medíocres e acre e frágil e a austeridade é isso mesmo: uma poluição financeira e uma ditadura, em que o inimigo é difuso." - João Soares, 6.04.15