segunda-feira, 31 de março de 2008

HOJE - PARTICIPE DIA DE ACÇÃO GLOBAL PELO TIBETE - Lisboa

Tibete: povo em harmonia com o meio ambiente




A China tem desde há várias décadas praticado crimes ambientais, um genocídio humano e cultural no Tibete.
Não deixe que isto continue impune, diga não a violações dos Direitos Humanos e ao desrespeito pela preservação de um património biológico únicos no mundo (o vídeo mostra a região de Mei Lei Snow Mountain, localizada na fronteira entre a China e o Tibete).

**
MANIFESTAÇÃO: 19h, 31 de Março de 2008, Segunda-feira
Em frente às instalações do Comité Olímpico de Portugal
Travessa da Memória 36, Ajuda
**
Protestos, vigílias e cerimónias de oração pelo Tibete terão lugar em todo o mundo, no 31 de Março, quando a Tocha Olímpica chegar a Pequim, de modo a focar a atenção no sofrimento do povo Tibetano, na sequência da recente repressão Chinesa. Tibetanos no exílio e apoiantes do Tibete apelam à retirada das áreas Tibetanas do percurso da Tocha Olímpica, afirmando que celebrar a Tocha Olímpica Chinesa e a sua respectiva Viagem de Harmonia no Tibete, enquanto o povo Tibetano é esmagado pelas forças militares Chinesas, é uma abominação que deve cessar.

Mais de 150 organizações de apoio ao Tibete apelaram ao Presidente do Comité Olímpico Internacional, mediante carta enviada há duas semanas, solicitando o cancelamento da passagem da Tocha Olímpica por áreas Tibetanas. As organizações enviaram também cartas aos patrocinadores do percurso da Tocha - Coca Cola, Lenovo e Samsung - apelando à retirada do patrocínio, até o Tibete deixar de constar no percurso da Tocha, e apelará agora aos Comités Olímpicos Nacionais de modo a que apoiem este apelo.

Por favor e caso possam: tragam muitas velas, flores, t-shirts alusivas, cartazes, bandeiras Tibetanas. Uma amiga lançou a sugestão de cada pessoa trazer uma braçadeira branca, à semelhança do lenço branco por Timor ! Ou mesmo de andarmos com a bandeira Tibetana, em crachá ou autocolante, visível no nosso dia-a-dia. Porque não à janela!

Caso necessitem de algum auxílio na obtenção de imagens, ou desejem adquirir bandeiras p.f. não hesitem em contactar-nos.

Obrigada !!!
Saudações
Grupo de Apoio ao Tibete



Perto de 1 milhão e 500 mil cidadãos do mundo já assinaram a petição internacional da ONG Avaaz, que será entregue HOJE em todas as embaixadas e consulados chineses em todo o mundo.Mas podemos ser mais!!Por favor assine JÁ e divulgue amplamente a petição o mais urgente possível.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Não à barragem da foz do Tua - 2 Petições em linha


Destruir a natureza em nome do ambiente
Por Paulo Araújo, Março de 2008
Uma flor em Portugal é tão bonita como noutro lugar qualquer: afinal, a flor mais delicada pode tirar o seu sustento dos efluentes dum esgoto. Mas, se ampliarmos a escala e olharmos em volta, não podemos ignorar nem o esgoto, nem as construções dissonantes, nem as modernas estradas que ferem de morte a paisagem. Portugal é um país cada vez mais feio, e é também por isso que neste blogue temos preferido as coisas pequenas. Nem as árvores, vítimas sistemáticas de podadores sádicos, estão a salvo neste nosso destroçado território; ficam só as flores silvestres para sobre elas nos debruçarmos, alheando-nos voluntariamente da fealdade circundante.

Há porém retalhos de Portugal onde não temos que cultivar a cegueira. Um deles fica em Trás-os-Montes: é o vale do Tua, entre a foz desse rio, na margem direita do Douro, e Mirandela, 55 quilómetros a norte. Um vale integralmente percorrido pela automotora que presta serviço diário, duas vezes em cada sentido, na linha do Tua, o mais emocionante troço ferrovário do país. Partindo do Douro, avançamos por uma garganta apertada entre escarpas quase a pique, refúgio de muitas aves, que gradualmente se suaviza e enche de vegetação arbórea: sobreiros, zambujeiros e azinheiras. Em baixo, quando o leito do rio, alargando-se, se faz menos pedregoso, há choupos, amieiros, freixos e salgueiros. Por vezes a linha corre numa estreita plataforma talhada entre dois abismos; aqui e ali esconde-se num túnel; mais adiante atravessa alguma pequena ponte. Dir-se-ia que tudo permanece inalterado desde que a linha foi inaugurada em Outubro de 1887, há mais de 120 anos. Isso, contudo, é ilusório: uma obra desta envergadura deverá ter tido, na época, impactos sérios. Mas a natureza refez-se - e a ferrovia, obra humana, é parte tão genuína desta paisagem como são o rio, as rochas, as plantas e as aves.

Uma hora depois da partida, apeamo-nos em Abreiro, ao quilómetro 29 da linha. Para trás ficou a parte mais aventurosa do percurso, e o cenário é agora de terras de cultivo estendendo-se por declives moderados; vêem-se amendoeiras em flor, vinhas, olivais e pastagens. Temos três horas para passear antes de apanharmos o comboio de volta. Já viéramos outras vezes ao Tua, a primeira há mais de 10 anos, mas nunca tínhamos andado a pé nas suas margens. Talvez nunca mais possamos voltar a fazê-lo.

Em Fevereiro de 2007, uma derrocada na linha do Tua causou três mortos e levou à interrupção do serviço ferroviário durante quase um ano, tempo que demoraram as obras de recuperação. Agora que a automotora voltou a circular, está iminente, por vontade humana, um desastre de muito maiores proporções: a construção, junto à foz do Tua, de uma barragem que irá submergir o vale e a linha férrea numa extensão de 30 a 40 quilómetros. Nada do que se vê nestas fotos sobreviverá à destruição: o rio transformar-se-á num lago morto, obeso e desmesurado, afogando tudo à sua volta.

Não sei se temos os governantes que merecemos; sei apenas que este governo e estes ministros (um deles até se intitula, caricatamente, ministro do ambiente) se empenham, com um denodo nunca antes visto, na destruição do que resta da natureza em Portugal. Além do desenvolvimento, que mesmo proclamando-se sustentável continua a justificar todos os desmandos, invoca-se agora o ambiente: é para cumprir Quioto, aumentar a quota das energias renováveis e outras tretas da mesma laia. Porque, seja qual for o pretexto, a solução é sempre a mesma: mais betão, mais asfalto, mais encomendas aos grandes grupos económicos, mais destruição desenfreada. E, no caso da construção de barragens como as do Tua ou do Sabor, a hipocrisia e a mistificação atingem níveis arrepiantes: destroem-se a paisagem e o património, e promete-se turismo; afogam-se campos, vinhas e pomares, e promete-se água para a agricultura; extinguem-se modos de vida, e prometem-se empregos e desenvolvimento.


1. Petição promovida pelo Movimento Cívico pela Linha do Tua

Petição pela Linha do Tua VIVA



2. Petição promovida por Joaquim Reis
O recente Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico, apresentado pelo governo Português, prevê a construção de uma barragem na foz do rio Tua, afluente do rio Douro em Portugal. Esta barragem irá inundar parcialmente a histórica linha de comboio do Tua, bem como uma vasta área com valores paisagísticos, culturais e naturais inestimáveis, que dão continuidade à área vizinha do Alto Douro Vinhateiro, designada como Património Mundial da Unesco em 2001.
A zona afectada possui um enorme potencial turístico, actualmente apenas aproveitado de forma quase residual, maioritariamente assente na exploração da linha do Tua, no turismo rural e de natureza, na produção de vinhos, azeites e outros produtos regionais de grande qualidade, assim como na proximidade a uma região Património Mundial da Unesco. O investimento na realização deste potencial turístico diferenciado beneficiaria de forma decisiva e a longo termo quer as populações locais, quer o país, por intermédio da criação de emprego duradouro na área dos serviços e contribuindo para a reabilitação das aldeias e infra-estruturas existentes. Este investimento seria determinante para a fixação das populações e imprescindível para a conservação de um património cultural e natural de reconhecido valor internacional.
No lado oposto, um investimento na construção da barragem traria apenas benefícios de curto prazo a um reduzido número de habitantes locais, traduzidos em trabalhos temporários e num aumento temporário e insustentável do volume de negócios, nomeadamente nas áreas da restauração e alojamento, limitado apenas aos anos de construção da barragem. Em termos nacionais, os benefícios para o país, particularmente ao nível da economia, limitar-se-iam também aos anos de construção.
Do ponto de vista energético, os benefícios derivados da produção de energia supostamente limpa, por esta constituir uma proporção irrisória a nível nacional, são bastante discutíveis e não compensam a perda de um património cultural e natural inestimável.
Uma vez construída a barragem, os benefícios cessarão quase na totalidade, restando uma oferta turistica igual à existente em tantos outros locais com barragens, em Portugal e no resto da Europa, tendo simultaneamente provocado o desaparecimento dos valores que fazem desta região um lugar único no Mundo.

Por tudo isto diga NÃO à barragem da foz do Tua!

Assinem e divulguem as 2 Petições!


quinta-feira, 27 de março de 2008

The Known Universe by American Museum of Natural History (AMNH)


The Known Universe takes viewers from the Himalayas through our atmosphere and the inky black of space to the afterglow of the Big Bang. Every star, planet, and quasar seen in the film is possible because of the world's most complete four-dimensional map of the universe, the Digital Universe Atlas that is maintained and updated by astrophysicists at the American Museum of Natural History. The new film, created by the Museum, is part of an exhibition, Visions of the Cosmos: From the Milky Ocean to an Evolving Universe, at the Rubin Museum of Art in Manhattan through May 2010.

Data: Digital Universe, American Museum of Natural History
http://www.haydenplanetarium.org/universe/

terça-feira, 25 de março de 2008

Cântico das recordações

Cabrela, Montemor-o-Novo
Somos a memória que temos, sem memória não saberíamos quem somos. Esta frase, brotada da minha cabeça há muitos anos, no fervor de uma das múltiplas conferências e entrevistas a que o meu trabalho de escritor me obrigou, além de me parecer, imediatamente, uma verdade primeira, daquelas que não admitem discussão, reveste-se de um equilíbrio formal, de uma harmonia entre os seus elementos que, pensava eu, contribuiria em muito para uma fácil memorização por parte de ouvintes e leitores. Até onde o meu orgulho vai, e apraz-me declarar que não chega muito longe, envaidecia-me ser o autor da frase, embora, por outro lado, a modéstia, que também não me falta de todo, me sussurrasse de vez em quando ao ouvido que tão certa era ela como afirmar com toda a seriedade que o sol nasce a oriente. Isto é, uma obviedade. Ora, até as coisas aparentemente mais óbvias, como parecia ser esta, podem ser questionadas em qualquer momento. É esse o caso da nossa memória, que, a julgar por informações recentíssimas, está pura e simplesmente em risco de desaparecer, integrando-se, por assim dizer, no grupo das espécies em vias de extinção. Segundo essas informações, publicadas em revistas científicas tão respeitáveis como a Nature e a Learn Mem, foi descoberta uma molécula, denominada ZIP (pelo nome não perca), capaz de apagar todas as memórias, boas ou más, felizes ou nefastas, deixando o cérebro livre da carga recordatória que vai acumulando ao longo da vida. A criança que acaba de nascer não tem memória e assim iríamos ficar nós também. Como dizia o outro, a ciência avança que é uma barbaridade, mas eu, a esta ciência não a quero. Habituei-me a ser o que a memória fez de mim e não estou de todo descontente com o resultado, ainda que os meus actos nem sempre tenham sido os mais merecedores. Sou um bicho da terra como qualquer ser humano, com qualidades e defeitos, com erros e acertos, deixem-me ficar assim. Com a minha memória, essa que eu sou. Não quero esquecer nada. [ in Outros Cadernos de Saramago]

segunda-feira, 24 de março de 2008

Em Defesa da Reserva Ecológica Nacional - REN - Petição disponível em linha


A Reserva Ecológica Nacional (REN) tem sido considerada um instrumento fundamental no Ordenamento do Território, pelo seu papel na regulação do uso de áreas de elevada sensibilidade do ponto de vista ambiental, fundamentais para o equilíbrio do território e para a segurança de pessoas e bens.

As recentes inundações na área da Grande Lisboa fizeram mostrar, mais uma vez, que o respeito pelo espírito da REN teria evitado perdas humanas e enormes prejuízos materiais.

Ainda assim, a legislação que define o regime jurídico da REN procura contribuir de forma decisiva para a salvaguarda da paisagem natural do país e para a limitação da construção em áreas do território de grande relevância ecológica, protegendo zonas envolventes das linhas de água, orlas costeiras, estuários e zonas húmidas, áreas de recarga de aquíferos e de prevenção de riscos naturais.

Pelo seu sentido de património nacional, este instrumento da política de ordenamento do território é vital para a protecção dos valores ambientais e deve manter-se sob responsabilidade do Ministério do Ambiente ou das suas instituições desconcentradas. O diploma que o Governo já anunciou pretender aprovar para revisão do regime jurídico da REN, confere competências para a sua delimitação aos Municípios, o que proporciona incompatibilidades, por ser conhecida a dependência dos Municípios e dos orçamentos municipais da necessidade de aprovar novos empreendimentos de cariz edificado.

Os signatários da presente Petição solicitam ao Senhor Presidente da República a sua intervenção para que seja rejeitada a municipalização da REN e para que qualquer revisão do regime jurídico da REN seja feita com base num prévio e amplo debate público, incompatível com o projecto de Decreto-Lei que aguarda aprovação pelo Governo. Assine e divulgue a petição

domingo, 23 de março de 2008

Bye! Bye! Blue Sky [chemtrails] – documentário francês sobre rastos químicos


“A verdadeira viagem de descoberta não consiste em procurar novas paisagens, mas em ter novos olhos.” 
“Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux.” 
“The real voyage of discovery consists not in seeking new landscapes, but in having new eyes.” 

Famosa frase de Marcel Proust (1871-1922) que Sofia Smallstorm usa para iniciar sua palestra (linkada nas postagens de referência, abaixo) Este documentário francês sobre rastos químicos é mais que nunca de extrema relevância. Um dos entrevistados pelo documentário é Rosario Marcianò, um dos especialistas sobre o tema e grande activista contra os rastros químicos ou chemtrails, como são chamados em inglês. O site dele é Tankerenemy .

sábado, 22 de março de 2008

Dia Mundial de Liberdade de Documentos


Manifesto da Copyriot  em defesa do conhecimento e da cultura para todos
Copyriot- manifesto

Saber mais em Document Freedom Day org (já disponível em Português)

Em defesa do conhecimento e da cultura para todos

No mundo de hoje, regido pela febre do consumo e pelo dinheiro, a espiritualidade do ser humano, a sua criatividade, o conhecimento acumulado ao longo de milhares de anos, o rico mosaico de culturas que conforma a espécie, estão seriamente ameaçados. Seria de estranhar que algo de tão importante escapasse à protecção das leis. E, de facto, não escapa. Mas os interesses económicos das multinacionais adulteraram todo o sentido destes conceitos. O que deveria servir a criação transformou-se em protecção ao investimento, impedindo inclusivamente o exercício efectivo dos direitos mais elementares do homem, tais como o direito à vida, ao conhecimento, à sua identidade, ao seu direito a participar activamente na vida espiritual da sociedade.

Actualmente, o regime de direito de autor não satisfaz as necessidades da sociedade nem está de acordo com as possibilidades que o desenvolvimento tecnológico coloca nas suas mãos. Este sistema transformou-se em legitimador da submissão da cultura às leis do mercado, favorecendo a dominação económica e cultural dos povos.

O direito de autor como direito humano deve ter implícito o equilíbrio entre o direito do autor à sua obra e o direito da sociedade a ter acesso a ela. Este equilíbrio foi quebrado, não a favor dos autores nem da sociedade, mas a favor dos que exercem os direitos em nome dos autores, ou seja, os cada vez maiores monopólios da indústria editorial, informática, biotecnológica e do entretenimento. O exercício dos monopólios exclusivos que a legislação de propriedade intelectual outorga entra frequentemente em contradição com o exercício de direitos humanos tão importantes como o direito à saúde, à vida, ao conhecimento e à educação. E são sempre estes que saem a perder.

Por detrás de uma aparente defesa dos direitos dos autores, os interesses empresariais juntam criadores, governos e sociedade em geral ao reforço das legislações de propriedade intelectual e à sua hegemonização internacional, tomando como referente as propostas dos países mais desenvolvidos, apoiados por muitos organismos internacionais. Desta forma, a cultura, o intercâmbio de conhecimentos e o desenvolvimento vêem-se seriamente danificados.

A inclusão de normas de propriedade intelectual nos acordos da OMC e nos tratados de comércio livre não é mais do que o fechar do círculo, ameaçando seriamente a soberania e a diversidade cultural dos povos. Ao obrigar os Estados a adoptarem conceitos de direitos de autor muito restritos ao impedi-los de exercer políticas culturais de protecção efectiva, os monopólios garantem um comércio de produtos e serviços culturais desigual e afoga-se o desenvolvimento das expressões culturais locais.

Por outro lado, o estudo dos processos criativos em todo o mundo demonstra a falta de universalidade de muitos dos conceitos e instituições criados pelo direito de autor para a protecção da criação, ao não reconhecer, entre outros aspectos, as formas colectivas de criação e apropriação dos povos originários, ou a necessidade de outras formas de regulação que não a dos monopólios exclusivos de exploração dos resultados criativos. O sistema vigente, ao ser aplicado a realidades e momentos tão diferentes, apenas tornou possível (e até motivou) as utilizações ilegítimas e o saque do património colectivo.

A criação não se defende impedindo a sua difusão. Normas mais rígidas não trarão mais criatividade. Para proteger a criação tem que se garantir os seus espaços, estimulá-la, incentivá-la, tenha ou não êxito comercial, apenas em virtude da sua condição de expressão da espiritualidade do ser humano, de cada um deles na sua infinita diversidade. Há já muitos locais em que se notou a evidência das contradições assinaladas e onde se formam posições contrárias. Surgiu um número considerável de iniciativas que têm como objectivo o uso de modelos legais mais permissivos, que fomentam a solidariedade e a cooperação em vez de a proibir. Princípios como o GPL, o Copyleft, as iniciativas Creative Commons, abriram um caminho ao qual se juntaram associações de profissionais, intelectuais, criadores e programadores que começam a transformar, a pouco e pouco, o cenário internacional.

Tendo em conta estes princípios, parece-nos importante:

1.Construir, na teoria, um pensamento anti-hegemónico integrador em matéria de direitos culturais, artísticos, intelectuais, científicos e tecnológicos.


2.Articular a resistência através da ligação entre pessoas, instituições, meios de difusão, organizações e redes sensíveis a estes problemas, que permitam desenvolver a capacidade mobilizadora necessária para dar resposta imediata, por todos os meios possíveis, às manobras do poder hegemónico tanto a nível nacional como internacional.


3.Apoiar as alternativas em marcha no âmbito da cultura livre.


4.Inventar propostas ou projectos viáveis que tenham como objectivo principal o fomento de relações culturais e fluxos de conhecimentos entre pessoas, que estimulem a criatividade da sociedade como via para o enriquecimento do património cultural, educativo e espiritual dos povos, ao mesmo tempo que favorecem o acesso de todos aos resultados que se alcancem.

É por estas e por muitas outras razões que achamos indispensável o debate e a criação de alternativas reais que, de alguma forma, protejam quem cria e que lhe permitam decidir livremente qual o rumo e quais os moldes em que pretende divulgar e fazer conhecer a sua obra. Em suma, é necessária a criação de alternativas que defendam realmente as obras e os direitos de quem as cria, e não apenas de quem cria riquezas à custa da exploração da obra e da submissão do(s) criador(es).

Porque quem realmente é o nosso inimigo não é o pessoal que gosta, copia, divulga, mostra, troca, empresta, apoia, o que se faz, mas antes quem nos impede de mostrarmos o que fazemos e que reprime quem o faz.

Por tudo isto, não queremos passar sem deixar bem claro que somos defensores da diversidade cultural. Somos pessoas, artistas, criadores e distribuidores que, a partir de modelos alternativos, criticam as cadeias tradicionais de produção e distribuição das multinacionais. Lutamos pela salvaguarda das expressões culturais dos povos, defendemos culturas e formas de expressão em perigo real de serem absorvidas pela cultura hegemónica, acreditamos no chamado património cultural imaterial, nas formas de criação e apropriação culturais colectivas, como os conhecimentos tradicionais. Somos também artistas que levam a cabo ou apoiam uma alteração nas formas de criar. Pessoas que clamam por um maior acesso à informação e ao conhecimento, em defesa dos interesses sociais, criticando aspectos como o secretismo, a competitividade e o facto de as necessidades de mercado se sobreporem às verdadeiras necessidades da sociedade, o que acaba por resultar na imposição de uma pseudo-cultura enlatada que é utilizada como meio de dominação. Queremos que o direito de autor seja reconhecido dentro dos direitos culturais nas suas duas vertentes: como direito outorgado ao criador e como direito de acesso da sociedade aos resultados e aos processos criativos.

Sítios relacionados

Anti-Copyright
Document Freedom

quinta-feira, 20 de março de 2008

quarta-feira, 19 de março de 2008

Biografias da era nuclear

  • Todas as postagens sobre o sucedido em Hiroshima e Nagasaki no BioTerra
  • Ver  ainda Dossier Bioterra Não ao Nuclear
Biografias da era nuclear - testemunhos na primeira pessoa e outros documentos
.

Nuclear Events, Incidents and 
Disasters
This is a companion site to a 42eXplore project titled Nuclear Age. Housed below are links to websites on significant events, incidents, and a few disasters connected with nuclear history. Be sure to visit the parent site and also don't miss another webpage, Biographies of the Nuclear Age - - all from eduScapes.
Atomic Veterans History Project
http://www.aracnet.com/~pdxavets/index.shtml
This website houses a collection of over 500 personal narratives of witnesses and participants in nuclear test events.
 
Chernobyl: Ten Years On Radiological and Health Impact from Nuclear Energy Agency, France
http://www.nea.fr/html/rp/chernobyl/chernobyl.html
Scroll to the table of contents to find articles about this nuclear power accident, its health impacts, and lessons learned.
Related Websites:
2) Chernobyl from PBS's Frontline
http://www.pbs.org/wgbh/pages/frontline/shows/reaction/readings/chernobyl.html
3) Chernobyl Children's Project http://www.adiccp.org/?/contents.html
4) Chernobyl Nuclear Disaster by R. Visscher http://www.chernobyl.co.uk/
5) Chernobyl Nuclear Reactor Failure: Russian Meltdown . . .
http://www.boisestate.edu/history/ncasner/hy210/reactor.htm
6) Conclusions and Recommendations from International Conference: One Decade After
Chernobyl http://www.iaea.or.at/worldatom/thisweek/preview/chernobyl/conclsn9.html
7) Facts and Links from Chernobyl Children's Project http://www.adiccp.org/facts/index.html
 
Commando Raid to Norway (Vermork factory, Part 1 of 3) from A Moment in Time Archives
http://www.ehistory.com/world/amit/display.cfm?amit_id=1502
One of the great fears of the Allied leadership in England and the United States during World War II was that Germany might build the first atomic bomb. Find the link to next section at upper right-hand corner of webpage.
Related Websites:
2) Pictures: "The Battle for Heavy Water - The Factory" http://members.chello.se/bjarne.gronnevik/factory_pics.html
3) Rjukan and the War http://www.rjukan-turistkontor.no/uk/rjukan/krigshistorie.asp
 
Copenhagen from PBS
http://www.pbs.org/hollywoodpresents/copenhagen/
Copenhagen is about Niels Bohr and Werner Heisenberg, two of the great scientific minds of the 20th Century, trying to make sense of a meeting they had in September 1941, while World War II raged around them.
Related Website:
2) 'Copenhagen' Discussion Draws Overflow Crowd in Rainstorm
http://web.mit.edu/newsoffice/nr/2002/copenhagen.html
 
Discovery Of Radioactivity: The Dawn of the Nuclear Age from The National Health Museum
http://www.accessexcellence.org/AE/AEC/CC/radioactivity.html
One hundred years ago, a group of scientists unknowingly ushered in the Atomic Age. Driven by curiosity, these men and women explored the nature and functioning of atoms.
 
Enola Gay and the Bombing of Hiroshima in World War II
http://www.theenolagay.com/
This is the official site of General Paul Tibbets and the Enola Gay, the plane that delivered the A-bomb.
 
Hiroshima and Nagasaki from Mr. Dowling's Electronic Passport
http://www.mrdowling.com/706-hiroshima.html
Learn about about President Harry Truman and his decision to use the Atomic bomb.
Related Website:
2) A-Bomb WWW Museum http://www.csi.ad.jp/ABOMB/
3) Atomic Bomb: Decision http://www.dannen.com/decision/index.html
4) Atomic Bombings of Hiroshima and Nagasaki from The Avalon Project
http://www.yale.edu/lawweb/avalon/abomb/mpmenu.htm
5) City of Hiroshima http://www.city.hiroshima.jp/index-E.html
6) Damages Caused by Atomic Bombs
http://mothra.rerf.or.jp/ENG/A-bomb/History/Damages.html
7) Documents Relating to the Development of the Atomic Bomb and Its Use on Hiroshima and Nagasaki (Links-site) http://www.mtholyoke.edu/acad/intrel/hiroshim.htm
8) Dropping the Bomb by M. Noble
http://oasis.bellevue.k12.wa.us/sammamish/sstudies.dir/hist_docs.dir/atomicbombs.mn.html
9) First Atomic Bomb is Detonated 1945 from PBS's A Science Odyssey
http://www.pbs.org/wgbh/aso/databank/entries/dp45at.html
10) Harry S. Truman Threatens Japan with Further Atomic Attacks from History Channel
http://www.historychannel.com/cgi-bin/frameit.cgi?p=http%3A//www.historychannel.com/speeches/archive/speech_300.html
11) Hirohito / Japan http://cidc.library.cornell.edu/DOF/japan/captioned/notgod.htm
12) Hiroshima and the Atomic Bomb http://www.boisestate.edu/history/ncasner/hy210/hirosima.htm
14) Hiroshima Archive http://www.lclark.edu/~history/HIROSHIMA/
15) Hiroshima: A Survivor's Story from Scholastic
http://teacher.scholastic.com/activities/wwii/hiroshima/index.htm
16) Hiroshima/Nagasaki from Nuclear Files http://www.nuclearfiles.org/edstudyguides/drop.html and http://www.nuclearfiles.org/gallery/index.html
17) Hiroshima: Was It Necessary? by D. Long http://www.doug-long.com/
18) How Nuclear Bombs Work (Part 1 of 9) by C.C. Freudenrich from HowStuffWorks
http://www.howstuffworks.com/nuclear-bomb.htm
19) Remembering Nagasaki form The Exploratorium http://www.exploratorium.edu/nagasaki/mainn.html
20) Schoolmaster's Experience of A-Bomb in Hiroshima from Nagatsuka Elementary School
http://hp.vector.co.jp/authors/VA001962/nagatuka/a-bomb1.html
21) Toge Sankichi: Hibakusha (A-bomb survivor) http://burn.ucsd.edu/atomic5.htm
22) Was Hiroshima Necessary to End the War? http://www.peacewire.org/photoexhibits/Hiroshima/articles/hironecessary.html
23) World War II Use of the Atomic Bomb http://www.fatherryan.org/nuclearincidents/wwII.htm
 
Human Radiation Experiments from U.S. Department of Energy
http://tis.eh.doe.gov/ohre/
This website tells the agency's Cold War story of radiation research using human subjects.
 
International Nuclear Event Scale (INES)
http://www.british-energy.com/education/factfiles/items/item55.html
This scale was created to convey to the public the safety significance of events in the nuclear industry.
Related Website:
2) General Description of the Scale http://www.rosatom.ru/english/stations/document/ines.htm
 
Manhattan Project Heritage Preservation Association, Inc.
http://www.childrenofthemanhattanproject.org/index.htm
This organization and its website are dedicated to preserving the historical importance of the Manhattan Project.
Related Websites:
2) Atomic Spaces http://tigger.uic.edu/~pbhales/atomicspaces/
3) Conscience, Arrogation and the Atomic Scientists by J.J. Stone from Federation of American Scientists http://www.fas.org/faspir/pir0894.html
4) Costs of the Manhattan Project http://www.brook.edu/dybdocroot/FP/PROJECTS/NUCWCOST/MANHATTN.HTM
5) First Atomic Bomb is Detonated 1945 from PBS's Science Odyssey
http://www.pbs.org/wgbh/aso/databank/entries/dp45at.html
6) Human Radiation Experiments by G.Kelly and L. Ricciuti
http://www.ask.ne.jp/~hankaku/english/niagara_fall.html#0002
7) Legacy of the Manhattan Project in Niagara Falls by G. Kelly and L. Ricciuti
http://www.ask.ne.jp/~hankaku/english/niagara_fall.html#0001
8) Manhattan Project http://www.tangischools.org/schools/phs/think/man/index.htm
9) Manhattan Project http://www.science.uwaterloo.ca/~cchieh/cact/nuclear/manhattan.html
10) Manhattan Project http://www.fatherryan.org/nuclearincidents/Manhatta.htm
11) Manhattan Project from Mr. Dowling's Electronic Passport
http://www.mrdowling.com/706-manhattanproject.html
12) N.M. Gave Birth to Atomic Bomb by L. Calloway from Albuquerque Journal
http://www.abqjournal.com/2000/nm/past/6past09-19-99.htm
 
Meltdown at Three Mile Island from PBS's American Experience
http://www.pbs.org/wgbh/amex/three/
This site discusses what happened at this nuclear reactor in Pennsylvania.
Related Websites:
2) Three Mile Island http://www.buzzle.com/editorials/12-2-2002-31409.asp
3) Three Mile Island Alert http://tmia.com/
4) Three Mile Island: A Nuclear Disaster http://www.uoguelph.ca/~rkapadia/tmipage.html
5) Three Mile Island: A Splendid Little Reactor http://www.boisestate.edu/history/ncasner/hy210/3mile.htm
6) Three Mile Island Event http://www.nucleartourist.com/events/tmi.htm
 
Nuclear Accidents by B. Sharvy
http://www.efn.org/~bsharvy/nukes.html
Here is a list of some of the accidents that have occurred in the two spheres of modern nuclear technology: energy production and the military. It is not a complete list, nor is it a list of the most serious nuclear accidents in history. Instead it is an account of various types of nuclear accidents, and a description of some of the most serious accidents within those types.
Related Websites:
2) Calendar of Nuclear Accidents from Greenpeace International http://archive.greenpeace.org/~comms/nukes/chernob/rep02.html
3) Nuclear Events/ERAMS Timeline (Environmental Radiation Ambient Monitoring System) from U.S. Environmental Protection Agency http://www.epa.gov/enviro/html/erams/milestones.html
4) What Happens When It All Goes Wrong? http://www.geocities.com/nigson0690/screwups.html
 
Race for the Super Bomb from PBS American Experience
http://www.pbs.org/wgbh/amex/bomb/
At the dawn of the Cold War, the United States initiated a top secret program in New Mexico to build a weapon even more powerful than the atomic bomb dropped on Japan.
Related Website:
2) Early Years of the Bomb http://www.bullatomsci.org/research/collections/erlyearsofbmb.html
 
Short History of the People of Bikini Atoll by J. Niedenthal
http://www.bikiniatoll.com/history.html
This page traces the unique history of the island, nuclear testing, and the status of the Bikini people and their land today.
Related Website:
2) Dawn of the Nuclear Age http://www.amphilsoc.org/library/exhibits/treasures/condon.htm
 
Nuclear Disaster in Japan from ABC News
http://abcnews.go.com/sections/world/DailyNews/japannuclear990930.html
A nuclear reaction at a uranium processing plant in Tokaimura, Japan has been brought under control, but officials told more than 300,000 people to stay indoors, closed nearby schools and told farmers to stop harvesting.
Related Websites:
2) Experts Play Down Fallout Danger from BBC News http://news.bbc.co.uk/1/hi/sci/tech/462974.stm
3) Japan Nuclear Town 'Safe' from BBC News
http://news.bbc.co.uk/1/hi/world/asia-pacific/462090.stm
4) Tokaimura Criticality Accident from World Nuclear Association
http://www.world-nuclear.org/info/inf37.htm
 
Radioactive Waste from Hanford is Seeping Toward the Columbia by K.D. Steele, High Country News
http://www.hcn.org/servlets/hcn.URLRemapper/1997/sep01/dir/Feature_Radioactiv.html
Leaking tank wastes have traveled far beneath the tanks, 10 to 15 miles, and reached the groundwater near the Columbia, the largest river west of the Mississippi.
Related Websites:
2) Hanford News from the Tri-City Herald http://www.hanfordnews.com/
3) Hanford Nuclear Site http://www.whistleblower.org/article.php?did=18&scid=28
4) Hanford Site from U.S. Department of Energy http://www.hanford.gov/
5) Hanford Watch http://www.hanfordwatch.org/
6) Hour One: Nuclear Waste from Science Friday http://www.sciencefriday.com/pages/1998/Apr/hour1_040398.html
7) Impact of the Cold War on Washington: Hanford and the Tri-Cities
http://www.washington.edu/uwired/outreach/cspn/hstaa432/lesson_24/hstaa432_24.html
 
Windscale Nuclear Incident
http://www.nucleartourist.com/events/windscal.htm
In 1957, the graphite moderator of one of the air-cooled plutonium production reactors at Windscale (now Sellafield), had a fire which resulted in the first significant release of radioactive material from a reactor.
Related Websites:
2) 1957 Windscale Reactor Fire http://www.lakestay.co.uk/1957.htm
3) Sellafield Incident http://www.aztecresearch.net/sellafield.htm
4) Windscale Accident 1957 http://dspace.dial.pipex.com/town/parade/aa226/magazine/nfs978m.htm


terça-feira, 18 de março de 2008

Escola na Natureza

Por Henrique Pereira dos Santos

Declaração de interesses: este projecto está neste momento sob a minha responsabilidade.

O ICNB tem um projecto que irá terminar a sua fase piloto neste ano e entrará num ano zero de desenvolvimento no próximo ano lectivo. Nesta fase piloto terá tido a participação de cerca de seis a sete mil alunos divididos pelos quatro anos que durou esta fase. O projecto descreve-se em poucas linhas: consiste em levar todos os meninos do oitavo ano de escolaridade a passar três dias (duas noites) numa área protegida usada como recurso para a escola leccionar o programa lectivo normal.Em relação à fase piloto há diferenças significativas: o tempo, que passa de dois dias (uma noite) para três dias, a alteração do acompanhamento dos alunos que passa a ser dos professores e não do ICNB e a alteração da origem de financiamento do ICNB para a escola.E sobretudo a diferença de ambição: atingir anualmente 130 000 mil alunos em vez dos mil a dois mil alunos (Mais info: Ambio)


A Ler e Conhecer

Guiões Pedagógicos de Apoio à Educação para a Cidadania ( em pdf, do ME_DGIDC)

Guião de Educação Ambiental – conhecer e preservar as florestas

Guião de Educação do Consumidor

Guião Educação para a Sustentabilidade – Carta da Terra

segunda-feira, 17 de março de 2008

A Hipermodernidade - compreender a crise dos nossos tempos noutra perspectiva

Para Lipovetsky o termo Pós-Moderno se tornou vago e não consegue exprimir o mundo atual, o pós de pós-moderno se referia ao passado como se este já estivesse morto, antes de afirmar o fim da modernidade, assiste-se ao seu arremate, que se concretiza no liberalismo globalizado, na mercantilização dos modos de vida e numa individualização galopante. Mas esta modernidade, que também é denominada de supermodernidade é integradora, a qual estamos saindo era negadora: não mais destruição do passado, e sim, sua integração com as lógicas modernas do mercado, do consumo e da individualidade. Ao definir o conceito de hipermodernidade, Lipovetsky propõem “superar a temática pós-moderna e reconceptualizar a organização temporal que se apresenta”. Sugere o termo hipermoderno, pois surge uma nova fase da modernidade, que foi do pós ao hiper: “a pós-modernidade não terá sido mais que um estágio de transição, um momento de curta duração.”(Lipovetsky, 2004:58).

A Hipermodernidade é caracterizada por uma cultura do excesso, do sempre mais. Todas as coisas se tornam intensas e urgentes. O movimento é uma constante e as mudanças ocorrem em um ritmo quase esquizofrénico determinando um tempo marcado pelo efêmero, no qual a flexibilidade e a fluidez aparecem como tentativas de acompanhar essa velocidade. Hipermercado, hiperconsumo, hipertexto, hipercorpo: tudo é elevado à potência do mais, do maior. A hipermodernidade revela o paradoxo da sociedade contemporânea: a cultura do excesso e da moderação. (Ler mais aqui , aqui e aqui).

O fim das grandes utopias e o surgimento de uma nova cultura individualista, que privilegia a imediatismo, o consumismo e o hedonismo. Esse é o fio condutor do livro Cartas sobre a Hipermodernidade, do filósofo Sébastien Charles, lançado recentemente pela Editora Barcarolla. Por meio de dez cartas, o autor revela uma sociedade hipermoderna, caracterizada pela indiferença ao bem público, pela prioridade frequentemente dada ao presente, em detrimento do futuro, pela valorização dos particularismos e dos interesses corporativistas, pela desagregação do sentido de dever ou da dívida com a colectividade. “Um novo pacto social é, portanto, mais indispensável do que nunca”, afirma o filósofo. Segundo ele, essa valorização do presente, embora justa, está desfasada com a ideia de pós-modernidade, quando se indicava o desaparecimento da modernidade. Não vivemos, afirma Charles, “o fim da modernidade, mas uma nova modernidade, elevada à uma potência superlativa. Não estamos em uma era ‘pós’, mas ‘hiper’.

Ler ainda esta entrevista (em francês)

domingo, 16 de março de 2008

Lapis Philosophorum, nome de pedra ligado ao acto de escrever


No seguimento da sua fixação numa nomenclatura binomial, em latim, o grande naturalista sueco Carlos Lineu (1707-1778), a meados do século XVIII, deu o nome de Lapis philosophorum à grafite, com base no facto de, então, este mineral ser a “pedra” (lapis, em latim) com a qual se podia escrever num suporte macio como o papel e porque escrever era prática de estudiosos, ou seja, de filósofos. Um outro nome da grafite foi “mica dos pintores”, em alusão ao seu aspecto lamelar e por deixar traço negro e fácil sobre o papel. Repare-se que o nome desta espécie no léxico mineralógico actual reflecte a última destas características, contida no elemento grego graph, que traduz o acto de escrever.

Numa época em que se não distinguiam as rochas dos minerais, tudo era pedra. É por isso que ainda hoje se fala de pedra-mármore, uma rocha de todos conhecida, e de pedra-hume, um mineral (sulfato duplo de alumínio e potássio), de uso corrente, pelo seu carácter adstringente e cicatrizante. Foi neste contexto que surgiram os nomes lápis, para designar o objecto com que escrevemos e desenhamos, e mina, para o estilete de grafite no seu interior. Lápis e mina duas palavras que radicam no referido contexto. Com efeito, no passado, a palavra mina era usada como sinónimo de minério e a grafite era já então explorada como tal. No que se refere à palavra lápis, disse-se atrás que, na origem latina, significava pedra e que qualquer mineral era referido como tal. Porque a macieza ao tacto, a cor negra e o brilho metálico da grafite a confundiam com a molibdenite, então referida por molybdaena, e porque nesse tempo não se distinguia o molibdénio do chumbo (plumbo, em latim) também se lhe chamou “plumbagina” e “chumbo negro”.
Com a mesma composição química do diamante e como ele, um polimorfo de carbono nativo, a grafite é um bom condutor do calor e da electricidade e uma das substâncias de mais baixa dureza, à semelhança do talco (silicato de magnésio hidratado) e da molibdenite (sulfureto de molibdénio). A grande diferença que a separa do diamante, a mais dura conhecida, reside no modo de arrumo dos átomos de carbono.
Se dermos o nome de grafeno a uma estrutura planar na qual os átomos de carbono estão fortemente unidos (ligação covalente), constituindo folhas em que cada átomo (através de três dos seus quatro electrões) se liga a três outros, formando hexágonos, a estrutura grafite define-se como sendo um empilhamento de folhas de grafeno unidas por uma ligação muito fraca (ligação de van der Waals) a uma distância de 3,35 Ångstroms.
Com largas aplicações na metalurgia do ferro, nas indústrias dos lápis (misturada com argila), dos lubrificantes (o pó da grafite é usado a seco), dos refractários, das tintas, das borrachas e na eletrónica, parte da grafite que se explora de entre as rochas, no subsolo, já foi hulha ou antracite e, centenas de milhões de anos antes, madeira de árvores das florestas de então.
A primeira mina de grafite foi descoberta na Baviera, no início do século XV. Cem anos depois, idêntica descoberta teve lugar em Cumberland, na Inglaterra, mas só no final do século XVIII se soube a sua verdadeira natureza química, em resultado do trabalho do químico sueco Karl Wilhelm Scheele (1742-1786).
Em 1761, o alemão Kaspar Faber deu início à produção de lápis, em Stein, próximo de Nuremberga. Um seu bisneto, Lothar von Faber, modernizou a produção a partir de 1839. Passou, então a ser possível fabricar lápis com diferentes graus de dureza, através da mistura de argila com grafite. Oriunda da região de Irkutsk, na Sibéria, a grafite usada pela fábrica Faber era localmente referida por “ouro negro” e transportada no dorso de renas até ao porto de onde saía, em navios, para os seus destinos.
A indústria dispõe hoje de grafite produzida industrialmente, a temperatura e pressão elevadas, a partir de coque, de petróleo ou de antracite.

António Galopim de Carvalho in “As Pedras e as Palavras”. Âncora Editora, 2014

sábado, 15 de março de 2008

Amigos da Terra- vencedores da Competição ONE-MINUTE 2008

A criatividade humana e o empenho de muitos cidadãos é exemplar e sem dúvida estas qualidades estão bem demonstradas nos vídeos vencedores!
As regras para a produção de filmes a concurso pelos Amigos da Terra implicam também atitudes de maior respeito pelo ambiente e agenda 21. E os vídeos vencedores de 2008 são:


Winberry Hill em todas as categorias

How to boil a frog, na categoria escolha do Publico

How to Boil a Frog
Escolha do Público

A Day in the Spinney was the Under 21 Winner

A Day in the Spinney
Categoria Estudante



quinta-feira, 13 de março de 2008

Transgénicos: Novo filme mostrando os pecados mortais da Monsanto + NanoAlimentos



OGM
1.1. O filme foi exibido pela primeira vez em ARTE TV (Alemão e Francês) a 11 de Março de 2008 (Mais informações: Greenpeace).
1.2. A Greenpeace de Espanha publicou a 4ªedição do livro Verde/Vermelho de produtos alimentares transgénicos
1.3. Membros do Greenpeace Brasil rotularam mercadorias que não informam sobre uso de produtos transgénicos num supermercado do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira.



1.4. Horizontal Gene Transfer from GMOs Does Happen !
Evidências recentes confirmam que o DNA transgénico pode saltar para espécies de bactérias e até mesmo de plantas e animais


Nanotecnologias entram nas cadeias alimentares- Crónicas de uma invasão programada
2.1.A FOE International (Amigos da Terra) publicou em 11 de março o mais recente relatório dos perigos da Nanotecnologia, desta vez relacionados com a Alimentação. Constituído por 68 páginas, pode ser desacarregado aqui em formato pdf.
2.2. Provas experimentais da toxicidade dos nanomateriais (francês)
2.3. Principles for the Oversight of Nanotechnologies and Nanomaterials
Declaração assinada por várias associações cívicas,entidades públicas,ONG ambientais e do trabalho preocupadas com os vários imapactos das nanotecnologias noemeadamente na saúde humana, ambiental, social e ética
3. Novos sítios para o Dossier Nanotecnologia
Portal Nanowerk
Nanologue

quarta-feira, 12 de março de 2008

Avaliação da acção Blog Action Day

Statistics
Blog Posts, Audience Numbers, Facts
Measuring an initiative like Blog Action Day is difficult. In 2007 we asked bloggers to register their blogs and a rough count of RSS subscribers. It is worth remembering that RSS subscriber numbers are only one half of the readership of a blog. Many and in some cases all of a blog's readership will simply be visitors to the site. The real reach of Blog Action Day is far greater than the number below.


20,603 Blog Participated
23,327 Blog Posts (
Google Blog Search)
14,631,038 RSS Readers
19 of Technorati's Top 100 blogs

Posts
October 15th saw a flood of blog posts. The best ways to find them are through
Google Blog Search or for larger blogs, use Technorati's Authority Search. Here are a few of the types of post that showcase how Blog Action Day brought out ideas and ingenuity that tapped into niche audience interests.
Build your own mean, green computing machine - DownloadSquad
BadBuster Helps You Identify the Greenest Companies - Read/Write Web
How to Green Your Electronics - Lifehacker
Optimized code could help reduce global warming - Polygeek
The Butterfly Effect and the Environment: How Tiny Actions Can Save the World - Copyblogger
Items you Never Thought to Recycle - Dumb Little Man
SEOMoz goes Carbon Neutral, you can too! - SEOMoz

terça-feira, 11 de março de 2008

O Novo Modelo de Avaliação dos Professores e Conexão Ambiental


1º. Pudera que o ecologismo/ ambientalismo português tivesse a mesma indignação dos 100.000 Professores , perante uma acção continuamente sofrível anos e anos por parte dos vários Ministérios do Ambiente....oxalá...um dia ...

2º. Neste novo modelo de avaliação dos Docentes, o próprio António Vitorino na sua intervenção de dia 10 de Março no programa com Judite Sousa reconhece falhas, tendo afirmado que deveria haver uma fase experimental mais alargada de um ano e meio.

3º. O Conselho Científico, além de tardiamente nomeado (só em 29 de Fevereiro, isto é , a duas semanas do fim do 2º Período) verifica-se que, na sua composição (20, ao todo), apenas está um membro que é da Beira Interior. Os restantes são dos grandes centros urbanos a litoral.Então na UTAD, em Covilhã e Évora e noutras escolas do interior não haverá também professores e individualidades de reconhecido mérito no domínio da educação?

4º. Os Professores constituem elementos porventura mais participativos, directa ou indirectamente, no Desenvolvimento Local e Regional do País(Ciência Viva; Museus; Cidades Criativas; membros de ONG, etc...)mas na construção deste novo modelo de Avaliação, está assente num novo modelo de gestão perfeitamente anti-democrático e contrário a todo o espírito da Agenda 21, Carta de Atenas e do Tratado de Educação Ambiental.

5º.Na avaliação de desempenho dos docentes (e passo a citar *)

no artigo 8º pode ler-se 1. A avaliação do desempenho tem por referência: a) Os objectivos e metas fixados no projecto educativo e no plano anual de actividades para o agrupamento de escolas ou escola não agrupada; Os indicadores de medida previamente estabelecidos pelo agrupamento de escolas ou escola não agrupada, nomeadamente quanto ao progresso dos resultados escolares esperados para os alunos e a redução das taxas de abandono escolar tendo em conta o contexto socio-educativo; 2.Pode ainda o agrupamento de escolas ou escola não agrupada, por decisão fixada no respectivo regulamento interno, estabelecer que a avaliação de desempenho tenha também por referência os objectivos fixados no projecto curricular de turma.
Nada disto existia antes de 10 de Janeiro e não se altera o Regulamento Interno de uma Escola nem o seu Projecto Educativo, documentos estruturantes que envolvem a participação de toda a comunidade escolar (pais, professores, funcionários, alunos, autarquia) em 20 dias! A menos que se faça com a mesma rapidez, consistência e respeito pelos envolvidos com que o Ministério da Educação despacha leis.

(* retirado da Petição Contra a actual Avaliação do Desempenho da Classe Docente)

segunda-feira, 10 de março de 2008

sábado, 8 de março de 2008

Pelos Professores por Vasco Pulido Valente

Público,8 de Março de 2009

Hoje, 70.000 professores vêm a Lisboa protestar contra o Governo e a ministra da Educação. Não posso simpatizar mais com eles. Mas não me parece que tenham percebido bem o fundo da questão: nem eles, nem a generalidade do público. Toda a gente parte do princípio que os professores devem ser avaliados; mesmo os próprios professores, que só criticam o método proposto pela 5 de Outubro. Ninguém ainda disse que os professores, pura e simplesmente, não devem ser avaliados, nem que a avaliação demonstra a (incurável?) deformidade do sistema de ensino. Em cada manifestação aparecem professores furiosos proclamando que não temem a avaliação. Acredito que sim. Infelizmente, não se trata disso.
Uma avaliação pressupõe critérios: parece que neste caso à volta de catorze (e pressupõe avaliadores, muitos dos quais sem qualquer competência científica ou pedagógica ou interesses de uma total irrelevância para a matéria em juízo). Os critérios medem, peço desculpa pelo truísmo, o que é mensurável como, por exemplo, a assiduidade ou notas de uma exactidão discutível, como perfeitamente sabe quem alguma vez deu notas. Não medem nem a moral, nem o ambiente, nem os valores da escola ou a contribuição de cada professor para a sobrevivência e a força dessa moral, desse ambiente e desses valores. Numa palavra, não medem a qualidade, de que depende, em última análise, o sucesso ou o fracasso do acto de ensinar. Criam uma trapalhada burocrática que esteriliza e que massacra e acaba sempre por promover a mediocridade, o oportunismo e a rotina. A sra. Thatcher ia matando assim a universidade inglesa.
Os professores não precisam de uma vigilância vexatória e nociva por avaliações. Precisam de um ethos, que estabeleça uma noção clara e unívoca de excelência. Se o ensino superior for de facto excelente (e não o travesti que por aí vegeta) e se tiver inteira liberdade de seleccionar alunos (como agora não tem), os professores ficarão com um objectivo, o de preparar as crianças para o ensino superior, que os distinguirá entre si, sem regras de espécie alguma; e que tornará o seu trabalho pessoalmente mais compensador, interessante e útil. Desde o princípio que o Estado democrático não compreendeu esta evidência. Começou as reformas por baixo e não por cima. Aturou sem vergonha os mercenários que exploravam a universidade. E de repente quer que os professores paguem a conta do desastre. Não é admissível.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Não aos ensaios OGM em Portugal

clique na imagem, para ver com maior ampliação


Findo o prazo de consulta pública (porque será tudo a 30 dias??...) sobre os ensaios com milho BT pedidos pelas empresas Syngenta e Pioneer lê-se em novo comunicado da Plataforma Transgénicos Fora, que são numerosas as razões pelas quais tal pedido deve ser recusado, nomeadamente:

1. A consulta pública foi irregular: até ao dia 25 de Fevereiro, em Ferreira do Alentejo, nenhuma documentação esteve disponível na Câmara Municipal. Este facto é suficiente para levar à anulação liminar de todo o processo.
2. Em Monforte a parcela prevista para testes está inserida na zona protegida que faz parte da Rede Natura 2000: trata-se da Zona de Protecção Especial de Monforte, criada especificamente para a protecção de aves estepárias, aves essas que usam as culturas de cereais para se alimentarem e nidificarem. O milho geneticamente modificado que vai ser testado não pode entrar na alimentação humana, mas nada vai poder impedi-lo de entrar na alimentação das aves que deviam estar a ser protegidas.
3. Ainda no caso de Monforte a parcela de testes encontra-se a escassas dezenas de metros da Ribeira Grande, uma das maiores linhas de água do distrito de Portalegre, e ainda de várias represas. O facto de o cultivo de OGM representar um perigo para os cursos de água nas suas proximidades levou recentemente o Comissário Europeu Stavros Dimas (vídeo-entrevista Euronews) a propor o chumbo de duas variedades de milho transgénico. O ambiente português tem de usufruir do mesmo padrão de protecção que é aplicado na União Europeia.


Sítio Recomendado
O último relatório da GM Contamination Register detectou 216 actos de contaminação em 57 países desde 1996 em que as colheitas do GM se transformaram comercialmente em grande escala.Eis toda a informação e o terceiro relatório, disponibilizado no formato pdf pela Greenpeace em 29 de Fevereiro de 2008.

sábado, 1 de março de 2008

4º Aniversário do BioTerra - video de João Soares e poema "Somos Natureza" de António Alencar Sampaio




Aos amigos e leitores ofereço uma vídeo-composição da minha autoria e o poema com o mesmo nome: Somos Natureza (de António Alencar Sampaio)

*****Um Muito Obrigado*****


SOMOS NATUREZA
Somos corpos do conjunto
De toda essa unidade
Somos os quatro elementos
Somos a diversidade
De vidas e minerais
Nessa complexidade
Somos os reinos existentes
Hominal e animal
Como somos igualmente
Mineral e vegetal
Nos colocamos isolados
Por nosso racional
Somos as quatro estações
Sempre se manifestando
Uma hora no outono
Com o inverno preparando
Outra hora é inverno
Com a primavera chegando
Somos cada estação
Com suas propriedades
É uma química constatante
De muitas variedades
Como exemplo a primavera
Química da felicidade
O verão dentro de nós
É poço de energia
É força de primavera
Reconquista e alegria
É a entrega ao outono
Casa da sabedoria
Também somos os quatro ventos
Leste oeste norte e sul
Somos trovões, calmaria
Tempestade e céu azul
Somos frio, quente e seco
Somos húmidos, somos crús


~~~~Com amizade e muita Paz~~~~~

João