quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Mensagem de Ban Ki-moon, Secretário-Geral das Nações Unidas para 2010, o Ano Internacional da Biodiversidade



We should preserve every scrap of biodiversity as priceless while we learn to use it and come to understand what it means to humanity.~~E. O. Wilson
Scientists know we must protect species because they are working parts of our life-support system. ~~Paul Ehrlich

3,2,1 ::: Feliz 2010, respeitando a biodiversidade!




quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Não, não me esqueci de Elinor Ostrom, a primeira mulher a a receber o Prémio Nobel de Economia, que foi este ano



A economia anarquista ganhou este ano o prémio Nobel .
Elinor Ostrom, a economista que ganhou este ano o Nobel da Economia, provou a validade da gestão dos bens comuns por parte da população, prescindindo assim quer da gestão do Estado quer da gestão privada. Com isso, ela validou e reforçou o modelo económico defendido pelos anarquistas: a economia participativa e descentralizada.
Livro a fixar de Elinor Ostrom: Governing The Commons: The Evolution of Institutions for Collective Action (1990)

Obg António Silva


O livro da esperança: The Handbook of Sustainability Literacy


The Handbook of Sustainability Literacy
Handbook of Sustainability Literary
The Handbook of Sustainability Literacy: multimedia version. Edited by Poppy Villiers-Stuart and Arran Stibbe
You can browse this online resource by chapters from the paperback, additional chapters as well as Video interviews.
In this ground-breaking book, leading sustainability educators are joined by literary critics, permaculturalists, ecologists, artists, journalists, engineers, mathematicians and philosophers in a deep reflection on the skills people need to survive and thrive in the challenging conditions of the 21st century. Responding to the threats of climate change, peak oil, resource depletion, economic uncertainty and energy insecurity demands the utmost in creativity, ingenuity and new ways of thinking in order to reinvent both self and society. The book covers a wide range of skills and attributes from technology appraisal to ecological intelligence, and includes active learning exercises to help develop those skills.
Ler a Introdução (Pdf)


Um livro que recoloca os conceitos tão simples como ser verde, sustentabilidade, ecologista; um guia muito prático, intenso em ideias-chave, redes de conceitos, reflexões, numa multitude de meios, num esforço formidável de educação, treino, accurancy e preparação para uma cidadania mais justa e (forçosamente muito) exigente para 2010 e nos próximos anos.

Sobre Arron Stibbe


terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Urgente: por favor votem por um país que REALMENTE proteja as Áreas Naturais


O meu Sonho:
Que o meu País protegesse as Reservas Agrícolas e Ecológicas Nacionais, como solos e sítios de biodiversidade únicos; se empenhasse MESMO em manter intactas todas as áreas protegidas. São um património único e um legado para as gerações vindouras.

Votem no meu sonho (País conservasse as suas Áreas Naturais)
O prazo é até dia 31 de Dezembro, votem e divulguem por favor.

Bom ano a todos/as.




segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Documentário sobre a Arménia: Mon fils sera arménien , Hagop Goudsouzian, 2004, 80 min 43 s


Documentaire sur l’identité arménienne. Entre 1915 et 1923, un million et demi d'Arméniens furent massacrés par l'armée turque. Depuis, ce peuple lutte pour la reconnaissance officielle de ce qui fut le premier génocide du XXe siècle. Ce film retrace le voyage initiatique de six Canadiens d'origine arménienne sur la terre de leurs ancêtres, et leurs rencontres avec des survivants du génocide. Des témoignages émouvants de ces vigoureux centenaires et ceux, cocasses et touchants, des voyageurs du Nouveau Monde, composent un film digne et poignant sur le besoin de faire la paix avec le passé pour mieux se tourner vers l'avenir.

Ligações úteis
Genocidio Armenio.org
http://www.genocidioarmenio.org/
Havesov.net
http://www.havesov.net
In Homage to out 1.500.000 Martyrs
http://www.inhomage.com/
LearnArmenian.com
http://www.learnarmenian.com/
Viva Armenia
http://www.vivaarmenia.com

Consejo Nacional Armenio
http://www.cna.org.ar/



domingo, 27 de dezembro de 2009

Encontros Improváveis: Peter I. Tschaikowsky Der Nußknacker (Щелкунчик) Arabischer Tanz - com imagens do livro Kunstformen der Natur, de Ernst Haeckel


Peter I. Tschaikowsky Der Nußknacker (Щелкунчик) Arabischer Tanz - com imagens do livro Kunstformen der Natur, de Ernst Haeckel

Um Quebra-Nozes com uma interpretação ecológica!!!

Ernst Haeckel
(* 16. Februar 1834 in Potsdam; † 9. August 1919 in Jena)
Deutscher Zoologe, Philosoph und Freidenker, der die Arbeiten von Charles Darwin in Deutschland bekannt machte.
Haeckel war nicht nur ein hervorragender Forscher sondern auch ein begnadeter Zeichner, wie sämtliche aus seiner Hand stammenden Darstellungen und Bildtafeln auch heute noch durch ihre Naturtreue und Plastizität eindrucksvoll belegen.
Textquelle: http://de.wikipedia.org/wiki/Ernst_Ha...
Bildquelle: http://www.biolib.de/

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Ecosia- um novo motor de busca eco-amigo


O Ecosia está associado ao Yahoo, ao Bing, ao WWF (World Wildlife Found) e promete que 80% das receitas obtidas através das pesquisas vão ajudar a preservar a Amazónia.
Os responsáveis por esta ideia acreditam que durante um ano, um utilizador pode proteger uma área equivalente a um ringue de hóquei no gelo e que no mesmo período, um terço dos cibernautas pode fazer o mesmo para um pedaço de terra do tamanho da Suíça.

Ecosia is a green search engine that saves the rainforest one search at a time. It is absolutely free to use.

News and updates
Ecosia blog

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Ofra Haza - Forgiveness


Ofra Haza with Nusrat Ali Fateh Khan
from CD The Prayer Cycle 1999 of Jonathan Elias (Sony)
Offically last recorded Ofra's song
Words from The Bible - Psalm 23:
The Lord is my shepherd; I shall not want.
Even when I walk in the valley of Darkness
May only goodness and kindness pursue me all the days of my life




sábado, 19 de dezembro de 2009

Um estudo científico recente demonstra a toxicidade de 3 tipos de milho OGM da Monsanto

La planète transgénique (en 2008)[ler artigo aqui]
Resumo em Português feito por Margarida Silva

O pdf do artigo científico está disponível aqui


Neste artigo os cientistas Séralini e colegas pegam nos dados em bruto dos estudos da Monsanto feitos aos milhos MON 863, NK 603 e MON 810 (este último cultivado em Portugal; todos eles autorizados para alimentação humana) e obtidos através de acção judicial e fazem pela primeira vez uma avaliação estatística independente da que a Monsanto fez. Os resultados, como seria de esperar, são muito diferentes dos da Monsanto: impactos no fígado e rins (os orgãos de limpeza do aparelho digestivo) e consequências negativas variáveis para o coração, baço, glândulas adrenais e sistema sanguíneo. Mas não fiquem à espera, que o facto de os ratos se darem mal com os transgénicos nunca foi, nem vai ser, razão suficiente para a EFSA, Autoridade Europeia de Segurança Alimentar, decidir que é boa ideia proteger as pessoas e proibir estes transgénicos.


O comunicado de imprensa original segue abaixo:

Three Major GMOs Approved for Food and Feed Found Unsafe

Int J Biol Sci 2009; 5(7), 706-726

Caen, 14 December 2009: In what is being described as the first ever and most comprehensive study of three major GMOs about assessing the effects on mammalian health, researchers from CRIIGEN and Universities of Caen and Rouen have highlighted a number of new sex and often dose dependent side effects linked with their consumption. Their study of the 90-day feeding trials data of insecticide producing Mon 810, Mon 863 and Roundup herbicide absorbing NK 603 varieties of GM maize clearly underlines adverse impacts on kidneys and liver, the dietary detoxifying organs, as well as different levels of damages to heart, adrenal glands, spleen and haematopoietic system. Ironically, the confidential raw data of Monsanto about feeding trials on rats that these researchers have analyzed allowed the international authorization of these three commercialized GMOs in different parts of the world.

Although different level of adverse impact on vital organs were noticed between the three GMO, the research done by J. Spiroux de Vendomois, F. Roullier, D. Cellier and G.E. Seralini and appeared in the International Journal of Biological Sciences shows specific effects associated with consumption of each GMO, differentiated by sex and dose. Their research follows in the wake of European Governments obtaining the raw data related to feeding of rats for 90 days and
making it publically available for scrutiny and counter-evaluation.

The researchers have concluded that all the 3 GMOs that they have studied contain novel pesticide residues that will be present in food and feed and may pose grave health risks to those consuming them. They have, therefore, called for immediate prohibition on the import and cultivation of these GMOs and have strongly recommended additional long-term (up to 2 years) and multi-generational animal feeding studies on at least three species to provide true scientifically valid data on the acute and chronic toxic effects of GM crops, feed and
foods.

CRIIGEN denounces in particular the past opinions of EFSA, AFSSA and CGB, committees of European and French Food Safety Authorities, and others who spoke on the lack of risks on the tests which were conducted just for 90 days on rats to assess the safety of these three GM varieties of maize. While criticizing their failure to examine the detailed statistics, CRIIGEN also emphasizes the conflict of interest and incompetence of these committees to counter expertise this publication as they have already voted positively on the same tests ignoring the side effects.



sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Patrick Wall- We cannot force-feed EU citizens with GM food

We cannot force-feed EU citizens with GM food

Interview with Professor Patrick Wall
Former Chair
European Food Safety Authority

Recorded 2 December 2008
download transcriptpress release

Part 1/3: Click here or watch below (8:18):


Part 2/3: Click here or watch below (9:58):


Part 3/3: Click here or watch below (8:24):
Professor Patrick Wall (MB, BOA, BCh, MVB, MBA, MRCVS) was the Chair of the European Food Safety Authority Management Board from September 2006 - June 2008. EFSA (http://www.efsa.europa.eu/) is the EU Agency mandated by the European Commission to provide its opinion on the safety of conventional and genetically modified animal feed and food for the entire food and feed supply chains, and on issues directly impacting on these such as animal welfare, animal health and plant health.

Prof. Wall is Associate Professor of Public Health in University College Dublin's School of Public Health and Population Sciences (www.ucd.ie/phps) which hosts the National Nutrition Surveillance Centre (http://www.nnsc.ie/). His teaching and research interests include food borne diseases, lifestyle related diseases and health damaging consumer behaviour. He is a co-director of the UCD Centre for Behaviour and Health (http://geary.ucd.ie/behaviour). He was the first Chief Executive of the Irish Food Safety Authority (http://www.fsai.ie/) which is currently run by Dr. John O'Brien, a former Director of the biotech industry lobby group, International Life Sciences Institute! Prof. Wall was one of seven non-Chinese nationals on the committee overseeing food safety arrangements for the 2008 Beijing Olympics. He is also the Chairperson of the (Irish) Mental Health Commission's Research Committee, and is a member of the Food Safety Authority of Ireland's Healthy Eating Guidelines steering committee.


Web site: http://www.ucd.ie/foodandhealth/people/academicstaff/profpatrickwall/home/







Retirado do sítio GM-Free Ireland

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Eco-Natal : compre menos, viva mais


Buy Nothing Day film from the Danish Buy Nothing Day campaign: www.bnd.dk Language: English. Produced for Active Consumers by Bolette Frydendahl, Charlotte Brøndum Edmond, Gry Soerensen, Kristian Pinholt and Christian Goldbach

Sítios e páginas internacionais [clica nas bandeiras]
Australia Buy Nothing Day
Kauf Nix Tag
Buy Nothing Day
Dia Sem Compras
Koeb intet dag
Ala osta mitaan -paiva
Buy Nothing Day India
La Journée sans Achats
Giornata del non acquisto
Kjopefri dag
Kauf Nix Tag
Buy Nothing Day
En Köpfri Dag
BND for kids



terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O curso da esperança: Crash Course por Chris Martenson


The Crash Course seeks to provide you with a baseline understanding of the economy so that you can better appreciate the risks that we all face. The Intro below is separated from the rest of the sections because you'll only need to see it once...it tells you about how the Crash Course
came to be.

How long will it take?

Chapters are between 3 and 20 minutes in length. All 20 sections take 3 hours and 23 minutes to watch in full.
If you are interested in a quick summary of the Crash Course, watch our 45-Minute Crash Course presentation by clicking here.

You will learn about:

# Chapter Duration Translations
-- Introduction (on this page, above) 1:47 Español, Français
1 Three Beliefs 1:46 Español, Français
2 The Three "E"s 1:38 Español, Français
3 Exponential Growth 6:20 Español, Français
4 Compounding is the Problem 3:06 Español, Français
5 Growth vs. Prosperity 3:40 Español, Français
6 What is Money? 5:55 Español, Français
7 Money Creation 4:19 Español, Français
8 The Fed - Money Creation 7:13 Español, Français
9 A Brief History of US Money 7:14 Español, Français
10 Inflation 11:48 Español, Français
11 How Much Is A Trillion? 3:28 Español, Français
12 Debt 12:32 Español, Français
13 A National Failure To Save 12:06 Español, Français
14 Assets & Demographics 13:41 Español, Français
15 Bubbles 14:10 Español, Français
16 Fuzzy Numbers 15:52 Español, Français
17a Part A: Peak Oil 17:52 Español, Français
17b Part B: Energy Budgeting 12:15 Español, Français
17c Part C: Energy And The Economy 7:05 Español, Français
18 Environmental Data 16:22 Español, Français
19 Future Shock 8:02 Español, Français
20 What Should I Do? 19:48 Español, Français
Um curso imprescindível e muito actual.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Measuring impact of climate change from space: Gravity measurements shed light on key questions


Global mass variations from August 2002 to July 2008 as observed by the GRACE satellite mission. Negative signals dominate over Greenland, Alaska and Antarctica, mainly resulting from ice melting. (Credit: University of Stuttgart)

Enquanto manifestantes do Climaforum se manifestam hoje, eis mais um artigo científico que vem dar mais luz sobre as alterações climáticas, o degelo das calotes polares, poluição, etc...

Measuring impact of climate change from space: Gravity measurements shed light on key questions
ScienceDaily (Dec. 10, 2009) — What is the impact of climate change on the ice-covered regions of Earth? How does deglaciation affect global sea level changes?

These questions are being addressed by scientists from the Institute of Geodesy at the University of Stuttgart, Germany, and the Department of Spatial Science at the Curtin University of Technology in Perth, Australia. For this purpose, the German-Australian team has been investigating space-borne gravity measurements provided by the GRACE satellite mission.

As a result, they have found out that the Greenland glaciers shrunk continuously in the last few years; above all, they estimated the changes not to be linear in time but accelerating. On average, recent Greenland ice-mass decline caused an annual sea-level rise of about 0.5 millimetres.

For the first time ever, the GRACE satellite mission has allowed the determination of global mass variations -- such as ice melting in the polar areas -- from changes in Earth's gravitational pull. The underlying measurement principle is simple: it is based on the fact that the redistribution of masses on the Earth surface can be mapped in terms of changes of the terrestrial gravity field. Hence, scientists can measure the spatio-temporal variations of Earth's gravitational attraction on a test mass in space, namely the GRACE spacecraft. From these observations they can derive surface mass-variation patterns.

The satellite data clearly reveal that the Greenland area exhibits the main dominant mass shrinkage over the whole globe. It is predominantly caused by the persistent melting of the Greenland glaciers. Presently, the Arctic island loses between 165 and 189 cubic kilometres ice a year. This estimate is considerably higher than the results derived from geometric satellite measurements conducted in the 1990s.

Deglaciation causes melt water influx into the oceans. Furthermore, globally increasing atmospheric temperatures involve thermal expansion of seawater. Both effects substantially contribute to sea-level rise. Most notably, contrary to common reasoning, sea level does not change uniformly -- that is, in terms of a constant layer over the world's oceans. In fact, the global redistribution of masses causes the sea level to vary differently from location to location. As a basic principle, ice melting in the Northern Hemisphere translates into sea-level rise in the Southern oceans. On the other hand, deglaciation over the Antarctica causes sea-level rise in the Northern oceans.

Such effects are alarming, especially considering the fact that millions of people settle down in coastal and near-coastal areas. Based on current findings, extrapolations to the end of the 21st century forecast the Greenland ablation impact on mean sea-level rise to be in the range of five centimetres. This estimate is highly conservative, neglecting both accelerated deglaciation and mass balance over Antarctica, Alaska and further ice-covered regions. Taking progression effects into account, potential sea level rise of 50 centimetres within the next 100 years becomes realistic. Continuing satellite measurements will manifest the reliability of short-, medium- and long-term predictions.



sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Please help the world - COP15 Copenhagen opening film


Please Help the World, película de la ceremonia de inauguración de las Naciones Unidas sobre el Cambio Climático 2009 (COP15) en Copenhague, del Ministerio de Relaciones Exteriores de Dinamarca. Se muestra el 7 de diciembre de 2009 en la COP15.

Director: Mikkel Blaabjerg Poulsen, los productores: Stefan Fjeldmark y Marie Peuliche, Fotografía: Dan Laustsen, el diseñador de producción: Peter de Neergaard, editor: Morten Giese, compositor: Davide Rossi, diseño de sonido: Carl Plesner, compañía de producción: Zentropa RamBuk, consultores de asesoramiento : Mogens Holbøll, Bysted A / S y Christian Søndergaard.

Segue de perto a conferência (clica na imagem):


Obrigado António Garcia Barreto; texto em Espanhol retirado do blogue Chileno Descontamina


quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A pé, escrevendo o Portugal que se recusa a morrer - uma reportagem a conhecer

Desertificação, um país de tradições e de gentes espontâneas. Paisagens, cheiros e sabores únicos e diversos. Nuno Ferreira, jornalista, percorreu o país das sensações. Fê-lo a pé. Em conversa, recorda ao Café Portugal algumas histórias trilhadas nos milhares de quilómetros que calcorreou. A viagem está suspensa desde Julho de 2009. A vontade de voltar aos caminhos percorre o corpo de Nuno Ferreira. Faltam, contudo, apoios. A escrita sobre o Portugal profundo parece não interessar às massas, sublinha. Uma conversa a par e passo, ao ritmo dos desafios, dos sentimentos e das desilusões.

Sara Pelicano, fotos: Nuno Ferreira | terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

A carreira profissional de jornalista, onde soma quase duas décadas de experiência, fizeram-no, muitas vezes, sair da redacção ao encontro de Portugal. «Eram deslocações de dois, três dias. De carro até um determinado local. Ia eu e o fotógrafo» conta Nuno Ferreira, jornalista freelancer que desde de 2008 palmilha a pé o Portugal profundo.

Sagres, no Algarve, foi o ponto de partida desta aventura, relatada todos os dias no blogue Portugal a Pé. A ideia de andar à força do corpo pelo país vinha desde há muito tempo, mas o jornalismo numa publicação diária não deixava espaço à realização do desejo de Nuno Ferreira. Como freelancer, o tempo passa a ser gerido de outra forma e, em Fevereiro de 2008, de mochila às costas encetou caminho num lugar carregado de simbolismo. Foi de Sagres que partiram muitas expedições na época dos Descobrimentos, embora em sentido inverso, mar adentro.

A princípio estava cheio de medo porque não tinha grande actividade física. A mochila pesava 15 quilos. Quando fiz a primeira semana é que percebi que ia conseguir fazer isto, conta Nuno Ferreira. O percurso pelo Algarve fez-se entre a costa e a serra, onde sentiu alguma descaracterização do país. Faltam tradições. Achei o Algarve muito descaracterizado. A Serra do Caldeirão quase não tem nada de típico, afirma.

A minha obsessão é andar pelo Portugal onde ninguém entra. Eu passo por sítios onde as pessoas olham para mim e ficam de boca a aberta. Perguntam: ‘o que estás aqui a fazer? Nunca ninguém vem aqui!’ Eu digo, vim precisamente por isso. Quero andar por partes do país onde normalmente os turistas não vão.

Passou por peregrino, foi olhado com desconfiança mas acabou sentado à mesa de muita gente genuína. É esta multiplicidade de sentidos que fazem Nuno Ferreira continuar a batalhar pela procura de financiamento para a última etapa: falta calcorrear a Terra Fria de Trás-os-Montes.

Depois do Algarve, de onde trouxe a imagem da descaracterização, o Alentejo surgiu como terra acolhedora. Para mim foi um banho quente quando cheguei ao Alentejo, porque a região ainda tem todas aquelas sociedades recreativas que mantêm vivas as tradições da terra, do Portugal que está a morrer.

As gentes e as paisagens conquistam Nuno Ferreira. Na gastronomia encontrou prazeres descobertos, ou redescobertos, mas também um dos maiores problemas. Entre risos, conta: Um dos problemas foi começar a comer e beber. Uma das coisas que fiz questão foi ir sempre acompanhando a gastronomia. Fiz questão em comer todos os pratos que não conhecia, e repetir alguns. Toda a comida é espectacular.

De Fevereiro a Setembro de 2008, as memórias deste Portugal a Pé foram registadas na revista Única. Mas, em jeito de confissão, Nuno revela-nos que, em terras lusas, este é o tipo de leitura que não capta muitos leitores. Desde Setembro até Julho de 2009, a aventura fez-se por conta própria e foi partilhada no blogue Portugal a Pé.

Ainda no Alentejo, reparou que os postos de turismo nem sempre são a melhor forma de conhecimento de uma região. Encontrei cada cascata comenta em tom exclamativo. Vou muito ao site das câmaras municipais ver muita informação. Vou ao turismo pedir informações e a resposta é: parece que há uma [cascata] para aí. Vou, então, ter com as pessoas que me indicam lugares e dão dicas. Noutro país isto já estava tudo explorado, refere, com o olhar disperso nas memórias de um país profundo e longe do mediatismo do litoral para onde se dirige a nossa conversa.

As saudades do interior apertaram à medida que Nuno se aproximava do mar. O Portugal litoral está mais modernizado e mais tecnológico e pautado pelo consumismo, pela, chamada modernidade. Nuno Ferreira recorda: Quando passei para o litoral, encontrei um Portugal do centro comercial, da prostituição na estrada, muitos carros, vias rápidas. Pensei: que saudades do interior.

O espírito crítico deste jornalista com o pé literalmente na estrada relembra que é para as localidades do litoral que mais ajudas seguem: Agora, com a crise, Lisboa, Porto, Leiria pedem apoios. No interior, desenrascam-se. Fecham a casa e vão para imigração. Acho isso fascinante.

O percurso é feito de cansaço e de momentos de glória. Por vezes fazes quilómetros por uma estrada de terra batida sem interesse. De repente, um vale, os sons da natureza, uma paisagem a perder de vista, comenta. Assim carrega energias para continuar a sua aventura.



Chega à terra dos últimos pastores: Serra da Estrela. Adorei a Serra da Estrela, entre Manteigas e Folgosinho. Uma coisa é ir no regime turístico, outra é andar com os pastores, diz. Uma pausa para reviver emoções. Continua então: as pessoas a falarem do mar sem nunca o terem visto. Uns sonham estar com as sereias. Eram conversas surrealistas. Deparei-me com zonas muito desérticas onde as pessoas estão abandonada.
A desertificação é a linha geral desta viagem. No presente permanece a vontade de voltar a colocar a mochila às costas e voltar aos caminhos onde se trabalha a terra de forma pura e genuína.




quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

As minhas leituras- Stephen Jay Gould.1977. Darwin e os Grandes Enigmas da Vida



Este livro, escrito em 1977, foi o seu primeiro best-seller e traz uma colectânea dos artigos mensais que Gould escreveu para a revista Natural History Magazine. O tema central de seus ensaios é a teoria da selecção natural, criada por Darwin no século XIX. Este elegante produto do génio humano, que Gould equipara à produção de Newton e de Freud, desvendou a história da vida em nosso planeta.
Darwin e os Grandes Enigmas da Vida aborda temas como a história da Terra, a relação entre o tamanho do homem e sua inteligência, o mau uso da evolução para sustentar o racismo e o próprio processo de Darwin apresentar seu maior trabalho A Origem das Espécies. Seu estilo é magnífico. Os assuntos que desencava também. Um exemplo da qualidade de seus artigos é o curioso ensaio Sobre bambus, cigarras e a economia de Adam Smith, onde Gould nos mostra como a evolução faz uso de números primos para garantir a sobrevivência de algumas espécies. É o caso da chamada cigarra periódica, que para sobreviver, produz descendência superabundante e um ciclo reprodutor longo. O curioso é a duração do ciclo de reprodução: 17 anos. De 17 em 17 anos, milhões de crisálidas emergem do solo para cumprir seu destino de se tornarem adultas, se acasalarem, pôr ovos e morrer. Porquê 17 anos? O facto é que esta espécie tem mais hipótese de sobreviver com um ciclo de 17 anos (algumas espécies têm ciclos de 13 anos!), pois ele minimiza a possibilidade de seus predadores (cujo ciclo de vida é de 2 a 5 anos) conseguirem "sincronizar" seus ciclos e dizimarem sucessivas gerações de cigarras. Assim, a cada explosão de cigarras, muitas são abatidas pelos predadores, mas nunca o extermínio é suficiente para leva-las à extinção. Resultado: a espécie sobrevive!

Este livro é um bom início para conhecer a obra de Stephen Jay Gould [consultar aqui uma postagem no BioTerra sobre a vasta obra de Jay Gould] . Outros livros dele que recomendo são O Polegar do Panda, O Sorriso do Flamingo, Vida Maravilhosa e Dedo Mindinho e seus Vizinhos. É só começar e tu vicias-te em Gould. Vale a pena investir, o mundo está carenciado do bom exercício de pensar e Stephen Jay Gould é um mestre nessa arte.[por Ernesto Friedman, do blogue Polemikos, adaptado]

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Ranking de países em termos de rendimento climático 2009 - Portugal nada mal...

* None of the countries achieved positions one to three.No country is doing enough to prevent dangerous climate change.

1* – –
2* – –
3* – –
4 Sweden 66.7
5 Germany 65.3
6 France 62.2
7 India 62.1
8 Brazil 61.4
9 United Kingdom 60.6
10 Denmark 60.6
11 Norway 60.5
12 Hungary 60.5
13 Iceland 59.9
14 Mexico 59.1
15 Portugal 58.8
16 Switzerland 58.2
17 Argentina 57.1
18 Lithuania 56.2
19 Latvia 56.1
20 Morocco

Poucos devem conhecer o ranking 2009 dos países quanto ao seu rendimento na mitigação mudanças climáticas.
Este ano a German Watch foi mais dura, não atribuíndo os três primeiros lugares. Não é surpresa ver os Estados Unidos em penúltimo lugar, 55 de 56 possíveis e 15 lugares abaixo da China. Dois dos países mais contaminantes.
Por outro lado una grata surpresa é ver Portugal em 15º lugar. Talvez a crise tenha ajudado a reduzir as emissões e porque Portugal, tal como México, têm projectos ambiciosos de plantação de árvores.
Não sei se, ainda em relação ao nosso País, eles terão contemplado como eficiência energética o perverso Plano Nacional de Barragens!
Deve estar para breve os resultados para 2010.
Se quiseres ver o relatório completo visita esta página.

O que é o CCPI (Climate Change Performance Index) ?

O CCPI resulta da soma de três componentes: a primeira (tendência das emissões, com peso de 50%) analisa a evolução das emissões nos últimos anos de quatro sectores individualmente – electricidade, transportes, residencial e industrial; a segunda refere-se às emissões (nível de emissões, com peso de 30%) relacionadas com a energia de cada país, integrando variáveis como o produto interno bruto e as emissões per capita; a terceira (políticas climáticas, com peso de 20%) resulta de uma avaliação da política climática dos países a nível nacional e internacional

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Monsanto and the Round Table on Responsible Soy (RTRS)


Monsanto: eis as razões porque foi nomeada para o Angry Mermaid Award (texto em inglês)

1. Background

Monsanto is the world’s largest seed companywhich has controversially been promoting genetically modified (GM) crops for over a decade. According to Monsanto, GM crops are not just the solution to world hunger, they can also help tackle climate change.
Biotech companies are pushing for public subsidies for their “climate-friendly” crops. They also want to profit from the international carbon trade by pushing for these “climate-friendly” crops to be eligible for carbon credits under the Clean Development Mechanism (CDM).
The RoundTable on Responsible Soy (RTRS) of which Monsanto is a member, is helping to promote the company’s cause by allowing GM soy to be labelled as “responsible”. This may mean that RTRS certified GM soy will in the near future be considered as a “sustainable” source of agrofuel; or be eligible for carbon credits through CDM projects.
Monsanto claims its RoundupReady crops help tackle climate change because they can be grown without ploughing the soil, known as ‘no tillage’ or ‘conservation tillage’ agriculture. Ploughing soil releases carbon dioxide (CO2) Instead RoundupReady crops rely on large quantities of herbicides to control weeds. Monsanto argues that this means it should be eligible for carbon credits because it is locking CO2 in the soil.
But RoundupReady soy, which is grown on over 40 million hectares across South America, has
 severe social and environmental impacts, with increased pesticide use leading to damage to human health and the environment. These vast monocultures of soy have replaced valuable forest – resulting in huge CO2 emissions – and have displaced rural and indigenous communities.
Monsanto also co-founded the Alliance for Abundant Food and Energy, a lobby group set up to counter criticisms that agrofuels take land from food production, pushing up the price of food.

2. A History of Exerting Influence 
Monsanto’s climate lobbying can be traced back to 1998 when the company was active at the UN Climate Talks, claiming the US could meet up to 30% of its CO2 emission reduction targets by using ‘no till’ agriculture. Monsanto was also one of a number of companies pushing the idea of ‘carbon sinks’which allow land and trees to be used to store carbon.
Robert B. HorschMonsanto's President for Sustainable Development, explained that “Monsanto and others worked hard and successfully at the meeting to persuade delegates to look into agricultural carbon 'sinks' as a way to reduce atmospheric greenhouse gases.”
Monsanto was also active inside the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), the official scientific body on climate change. Monsanto representative Peter Hill contributed to an IPCC Special report on land use, land use change and forestry in May 1999.
The lobbying effort appears to have paid off: at the following UN Climate talks the issue of soil sinks became a major bargaining chip for the US, which wanted 25 million tons of US farm soils to be recognised as a ‘carbon sink’.
The US repeatedly threatened not to ratify the Kyoto Protocol unless sinks were included.


3. Monsanto’s Lobby Today
The biotech industry remains close to the US government and President Obama has appointed several former Monsanto chiefs and allies to high positions. Monsanto continues to actively lobby in the USIt has also formed alliances with the UN Food and Agriculture Organisation (FAO) and the UN Framework Convention on Climate Change (UNFCCC) to promote Conservation Tillage as a climate solution.
Monsanto has lobbied the Clean Development Mechanism (CDM) body, UNFCCC working groups and the FAO to get carbon credits and CDM funding for ‘no-till’ practices. A CDM methodology was approved in October 2009 for
 biodiesel production from crops grown for fuel on marginal lands, allowing agrofuel producers to directly benefit from carbon credits for the first time.
A key soy producer, Monsanto had actively lobbied the CDM office in Argentina for ‘no till’ RoundupReady soy production to be included under the CDMThe head of the Argentine office, Hernan Carlino, became a member of the CDM Executive Board in 2007 and following his appointment, the issue of carbon credits for ‘no till’ agriculture were discussed at the UN COP13 climate talks
Monsanto has so far not managed to have ‘no till’ approved, but Monsanto soy will be eligible for credits, provided it is grown on existing plantations and not on newly cleared land.
Monsanto has also been pushing for carbon credits from ‘no till’ in the US Climate Bill. The US position on this will be key at the Copenhagen climate talks. During the first quarter of 2009, Monsanto reportedly
 spent $2,094,000 on lobbying activities in the US, including on the Climate Bill proposal. In the second quarter of 2009, the company spent $2,080,000. Six Monsanto lobbyists have been declared by the company to be working on the Climate Bill.
Monsanto has also contributed to the development of an “agriculture soil carbon standard”, supporting other lobby groups in developing their strategy, One Congressional Briefing report noted that “With the help of Monsanto, Novecta, a consulting and lobbying arm of the Iowa and Illinois Corn Growers Associations, has called on Congress this spring to grant farmers valuable offsets for shifting to ‘no-till’ farming – a shift that will spur sales of Roundup and RoundupReady seeds. Thanks to the Peterson-Pelosi deal, this scheme could become law”.
Monsanto employs lobbyists Ogilvy Government Relations in Washington, which is listed by Public Integrity as one of the main lobby consultancies battling climate legislation. It also works as part of the US biotech industry lobby group, BIO, which also lobbied the Senate for free pollution permits.
The company is an active member of BIO. A recent leaked document revealed the US biotech industry lobbying strategy for Copenhagen, which includes working closely with the US government, including their Special Climate Envoy, Todd Stern: “Although the prospects for a new treaty in December are highly questionable, BIO and its members have significant interests in engaging over the next several months to ensure any treaty text does not harm the biotechnology industry, and potentially supports innovation,” the leaked document said.


4. Lobbying through NGOs
Monsanto’s inclusion in the Roundtable on Responsible Soy was a major breakthrough for the company, providing it with an opportunity to claim green credentials for GM soy.
Some industry critics argue the label is meaningless. The criteria allow soy expansion and deforestation to continue, and give a ‘responsible’ label to herbicide resistant crops, even though evidence is growing that the production of RoundupReady soy (in combination with non-till practices) leads to more, not less pesticide use. There is no consensus from civil society in producer countries that these criteria will lead to a ‘responsible’ product.
The RTRS, which includes WWF, has continuously promoted the option of certifying ‘sustainable’ soy biodiesel. WWF is now openly calling for carbon credits for RTRS-certified RoundupReady soy. The leaked BIO lobby document mentions that the European biotech lobby association, EuropaBio, is planning to organise a debate in Copenhagen “moderated by WWF”.
Monsanto was asked to comment on its nomination for an Angry Mermaid Award but did not respond.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Ainda Farmville e as Formigas agricultoras e a sua Evolução


1. As formigas agricultoras

Se pensa que o Homem descobriu a agricultura, está enganado! Há mais de 50 milhões de anos que pequenas formigas desenvolvem culturas de fungos, como forma de garantir alimento, numa relação de contornos verdadeiramente impressionantes.

A descoberta da agricultura pelo homem terá acontecido há mais de 10 000 anos. Ao permitir o controlo das fontes de alimento, a agricultura lançou as bases para o desenvolvimento das civilizações. Mas apesar desta descoberta ter sido um triunfo incontestável, na realidade o homem não foi o primeiro ser a pôr em prática técnicas agrícolas.

Há cerca de 50 milhões de anos atrás, não muito depois do desaparecimento dos dinossauros, e muito antes do homem se ter diferenciado dos chimpanzés, algures na bacia do Amazonas, um grupo de humildes formigas descobriu uma forma de assegurar alimento – tornaram-se agricultoras, cultivando fungos no interior dos formigueiros para a sua alimentação. Esta alteração do modo de vida terá ocorrido apenas num grupo restrito de formigas, já que a maioria das actuais 10 000 espécies mantém os seus hábitos de predador. Contudo, a razão porque tal terá acontecido permanece indeterminada. É provável que a competição ou alguma alteração no ambiente tenha “empurrado” este grupo de formigas para uma modificação drástica dos seus hábitos, alteração essa que terá sido vantajosa, pois só assim se explica que actualmente existam cerca de 200 espécies agricultoras. Todas estas espécies pertencem à tribo Attini, e distribuem-se fundamentalmente pelas florestas tropicais da América Central e do Sul. Nesta categoria encontram-se géneros considerados inferiores ou mais primitivos e géneros superiores, dos quais fazem parte os géneros Atta e Acromyrmex, que correspondem às conhecidas formigas cortadeiras, extremamente especializadas.

Mas esta relação está longe de ser uma exploração; pelo contrário, ambos os intervenientes souberam tirar dela o melhor proveito. Na ausência de enzimas que possibilitam a degradação da matéria vegetal e de insectos mortos, estas formigas obtêm os nutrientes de que necessitam através dos fungos. Em contrapartida, eles ganham um local no solo onde se podem desenvolver, protegidos pelas formigas de predadores e parasitas, e conseguem obter mais material da área circundante do que se estivessem por sua conta, material esse que já vem preparado pelas enzimas produzidas pelos insectos. Os fungos utilizam esta biomassa preparada para crescerem e acumulam tantos nutrientes que as extremidades das suas hifas incham com açúcares e proteínas, que depois os insectos podem morder. Para além disso, na preparação do substrato para as suas culturas, as formigas conseguem atenuar os efeitos dos fungicidas presentes nas plantas e desenvolveram a capacidade de escolher as folhas com menor conteúdo destes compostos. Esta aptidão é retribuída pelos fungos, já que eles conseguem degradar as substâncias insecticidas presentes no alimento trazido pelas formigas. A horta de fungos é, assim, uma forma eficiente de transformar material indigestível em alimento utilizável pela colónia de formigas.


Contudo, esta relação simbiótica assume contornos distintos, dependendo do tipo de agricultores envolvidos, nomeadamente do tipo de material que recolhem como substrato para o crescimento dos seus fungos. Assim, as formigas consideradas inferiores constituem colónias relativamente pequenas e colhem uma grande variedade de alimentos que colocam à disposição dos seus fungos, esperando que estes os degradem, desde ervas, folhas caídas, excrementos de insectos e mesmo os seus cadáveres. Contrariamente, as formigas superiores tendem a usar apenas material vegetal e as cortadeiras utilizam apenas material retirado de plantas vivas.


Estas últimas possuem uma complexidade social espantosa. Os seus formigueiros são enormes estruturas elaboradas, com centenas de câmaras de diferentes tamanhos, por vezes a mais de três metros de profundidade, onde chegam a existir mais de 8 milhões de trabalhadoras, frequentemente pertencentes a diferentes castas, especializadas em tarefas distintas. À superfície, a área envolvente do formigueiro é mantida escrupulosamente limpa pelas trabalhadoras. As colectoras de material vegetal, detentoras de uma força surpreendente, cortam as folhas e carregam-nas até ao formigueiro. Enquanto cortam, elas bebem a seiva que se liberta das margens cortadas, o que constitui uma importante fonte de energia para estes indivíduos. Já no formigueiro, pela acção de diferentes tipos formigas, as folhas são cortadas em fracções cada vez mais pequenas, mastigadas e encharcadas com enzimas, transformando-se numa pasta mole, que é posteriormente espalhada sobre o substrato dos fungos. Existem, ainda, as formigas colectoras de detritos, que os recolhem e transportam até câmaras específicas, situadas a grandes profundidades.

Os efeitos das formigas cortadeiras são, por vezes, devastadores. Uma manada de elefantes dificilmente pode causar tanto distúrbio como a passagem das trabalhadoras formigas, que procuram matéria verde para alimentarem as suas hortas, desfolhando em pouco tempo qualquer planta que apareça no seu caminho. Por isso são responsáveis por enormes prejuízos na agricultura, nos países em que atingem grandes densidades. Contudo, para responder a estes ataques das formigas, as plantas desenvolveram um arsenal de substâncias que incorporaram nas suas folhas, incluindo insecticidas e fungicidas que, ao aniquilarem os fungos, afectam indirectamente os insectos. Como resposta, as formigas adquiriram, ao longo da evolução, a capacidade de detectar muitos destes compostos, evitando utilizar folhas de plantas que os produzam. É por este motivo que as plantas nativas não são tão molestadas quanto as introduzidas, que não tiveram tempo de desenvolver defesas. Por isso estas formigas tendem a evitar as florestas húmidas virgens e a preferir zonas já perturbadas.

Apesar do seu impacto devastador, verificou-se que as formigas, ao tratarem cuidadosamente das suas culturas de fungos, desempenham funções ecológicas muito importantes. Elas estimulam o crescimento de novas plantas, promovem a degradação do material vegetal e o enriquecimento e arejamento do solo. Embora possam espalhar a devastação à superfície, elas criam um verdadeiro Éden para os fungos, em autênticos jardins subterrâneos.

Mas a complexidade da simbiose entre as formigas agricultoras e os seus fungos, adquirida durante uma extensa história evolutiva, é bem maior do que inicialmente se pensou. Muito antes dos humanos, as formigas começaram a tomar medidas para optimizarem as condições de crescimento das suas culturas. Por exemplo, os investigadores descobriram que certas áreas da cutícula das formigas se encontram revestidas por uma substância de aspecto poeirento, que estudos micromorfológicos e bioquímicos revelaram ser massas filamentosas de bactérias do grupo dos Actinomicetes, especialmente do género Streptomyces, produtoras de metabolitos secundários, muitos dos quais com propriedades antibacterianas e antifúngicas específicas. À luz das propriedades bioquímicas únicas deste grupo, foi proposto que as bactérias associadas às formigas seriam responsáveis pela supressão do desenvolvimento de agentes patogénicos potencialmente devastadores, nomeadamente outras espécies de fungos, parasitas, que invadem as plantações das formigas. Assim, a utilização de antibióticos tem sido uma constante desde que as formigas iniciaram as suas actividades agrícolas.

Porém, as descobertas não se ficam por aqui. Também elas foram pioneiras na utilização de técnicas de fertilização, já que realizam adubações à base de folhas misturadas com excrementos, de forma a maximizar o crescimento das culturas. Para além disso, as formigas realizam autênticas mondas quando fungos indesejáveis aparecem, eliminando-os com as suas mandíbulas.

Os cientistas conhecem há mais de um século estas formigas que cultivam massas de fungos para alimento, mas enquanto as formigas foram estudadas, o mesmo não aconteceu com os fungos. Por não desenvolverem corpos frutíferos (estruturas da reprodução sexuada) nos formigueiros, foi difícil fazer a classificação taxonómica dos fungos e determinar se poderiam viver no exterior, na ausência da relação simbiótica. No entanto, uma equipa de cientistas conseguiu analisar o ADN de mais de 500 tipos de fungos encontrados em formigueiros, tornando possível relacionar os fungos cultivados pelas formigas e alguns dos cogumelos que apareciam nas redondezas. Os cientistas descobriram que a maioria dos fungos pertence à família Lepiotaceae, escolha que não terá sido arbitrária, já que estes são especializados na decomposição de detritos vegetais.

A partir do momento em que os fungos iniciaram a relação simbiótica deixaram de se reproduzir sexuadamente e acabaram por depender das formigas para a sua dispersão. Reproduzem-se de forma vegetativa, através de rebentos, que não são mais do que clones do fungo original. Pelo facto de se ter observado que as novas rainhas destes formigueiros, ao saírem para acasalar e formar novas colónias, transportam fungos nas suas peças bucais, durante muito tempo pensou-se que esta seria a forma de todas as hortas começarem, o que significaria a existência de linhagens de fungos com milhares de anos. No entanto, investigações genéticas demonstraram que, apesar das formigas de uma mesma colónia só cultivarem um tipo de fungo, outras colónias da mesma espécie utilizam outros tipos de fungos, o que implica que, de vez em quando, as formigas saiam dos formigueiros para obter fungos livres na natureza, de forma a refrescarem os seus stocks e, provavelmente, obterem uma maior variedade alimentar. Por outro lado, algumas colónias de diferentes espécies cultivam exactamente os mesmos tipos de fungos. Por tudo isto considera-se, actualmente, que as formigas agricultoras domesticaram fungos várias vezes ao longo da sua evolução.

Em situações de desespero, resultantes de factores ambientais (como uma inundação) ou do ataque de doenças ou parasitas que limpam estas hortas, as formigas podem tornar-se mais beligerantes, pois estes condicionalismos têm efeitos devastadores, podendo condenar à indigência toda a colónia. Nas situações de crise as formigas ou morrem ou têm de procurar novos fungos para cultivarem. Esta procura pode ser feita na natureza ou mesmo no formigueiro das suas vizinhas. Já foram observadas operações organizadas de furto, em que as formigas de uma colónia tomam de assalto outro formigueiro para obterem fungos, forçando-o a sair, e chegando mesmo a fazer prisioneiros, que põem a trabalhar.


Os cientistas sempre se impressionaram com a harmonia da relação existente entre as formigas e os seus parceiros, mas apenas agora estão a desvendar as nuances que esta história evolutiva e de simbiose tem por trás. Eles estão a aplicar ferramentas moleculares para reconstruir a história genealógica da simbiose, determinando a sua origem e como terá progredido ao longo dos milhões de anos da sua existência. Esta interdependência assume um carácter tão forte que virtualmente controla o ecossistema de muitas regiões neotropicais. Existem cientistas que consideram esta relação como um dos maiores passos da evolução animal, colocando-a a par da conquista do meio terrestre. Mas estas descobertas são importantes ainda noutro sentido. O facto desta simbiose ter despertado tanto interesse constitui um motivo para que os fungos sejam estudados. Este tem sido um grupo bastante desprezado, apesar do seu papel crucial no funcionamento de todos os ecossistemas.

O mais antigo agricultor da Terra tem seis patas e pode ser capaz de nos dar algumas ideias de como praticar agricultura sem causar danos ambientais, pois é isto que tem feito durante muitos milhões de anos. As formigas poderão fornecer-nos algumas pistas sobre a forma de manter as mesmas técnicas agrícolas por tão longo tempo. Por exemplo, uma das lições que podemos reter prende-se com a necessidade de manutenção das diferentes variedades de plantas de cultivo em meio natural. Da mesma forma que as formigas saem para trazer novos fungos se uma doença devastar as suas culturas, os agricultores também deveriam poder ir buscar à natureza as plantas originais após o ataque de doenças. Por tudo isto, o que quer que nós tenhamos aperfeiçoado, em termos de práticas agrícolas, terá sido inquestionavelmente melhor realizado pelas formigas agricultoras, ao longo de 50 milhões de anos.

2. Documentos Recomendados por BioTerra

2.1. Paleodistributions and Comparative Molecular Phylogeography of Leafcutter Ants (Atta spp.) Provide New Insight into the Origins of Amazonian Diversity

2.2. Fungus-growing ant (University of Copenhagen)

2.3. Estudo comportamental da formiga cortadeira Acromyrmex spp

2.4.
O PAPEL DE FORMIGAS CORTADEIRAS (ATTA SEXDENS SEXDENS) NA
CICLAGEM DE NUTRIENTES EM SOLOS DE RESTINGA


2.5.
Evolution of Ant Agriculture